A 1Password quer acabar com o hábito de colar palavras-passe em janelas de conversa com IA. A 22 de outubro, a empresa lançou o 1Password for Agents, um sistema que permite a um agente de IA pessoal entrar em sites com credenciais guardadas no cofre do utilizador sem nunca receber a palavra-passe nem o código de uso único. O serviço não tem custo adicional para os assinantes dos planos Individual e Family no 1Password.com.

O funcionamento lembra a confirmação de um segundo fator. Quando o agente chega a uma página de autenticação, identifica-se perante a 1Password com uma chave digital própria e pede um acesso concreto. O utilizador recebe uma notificação com a conta pretendida e o motivo, e aceita ou recusa no seu dispositivo. Se aprovar, é a 1Password que introduz as credenciais na página de destino, devolvendo depois o controlo ao agente, que prossegue a tarefa. Segundo o The Verge, a aprovação é obrigatória em cada início de sessão, pelo que ligar um agente não lhe abre o cofre inteiro.

A lista de lançamento parece um inventário das aplicações de agentes deste outono. A 1Password menciona o Muse da Meta, o Claude Duet da Anthropic, o ChatGPT Work e o Dots da OpenAI, o Grok Bot da SpaceXSI e o assistente Townie, da Town. Os prazos variam: as integrações com o Muse e o Grok Bot chegam nos próximos dias, enquanto o Claude Duet, os produtos da OpenAI e o Townie aparecem como novidades para breve. Outras nove empresas, entre as quais a Perplexity, a Browserbase, a Browser Use, a Kernel e a Ramp, estão a desenvolver integrações próprias.

Algumas destas ligações prolongam trabalho anterior. O SiliconANGLE refere que o Claude usa a 1Password no navegador desde julho e que os agentes de navegação da Perplexity e da Browserbase estão ligados desde o final de 2025. A novidade é um modelo comum de aprovação pensado para agentes de consumo e de trabalho que agem em nome de uma pessoa em muitos sites, e não para programadores que precisam de gerir segredos no código.

O problema que a 1Password quer resolver é concreto e está a crescer. Os agentes que reservam viagens, pagam contas ou tratam de despesas ficam parados em cada ecrã de autenticação, a menos que uma pessoa intervenha, e o atalho de muitos utilizadores é entregar-lhes a palavra-passe, o que deixa uma cópia fora do seu controlo e dá acesso muito para lá da tarefa pedida. Aashish Tripathi, gestor da 1Password, defendeu que um agente deve conseguir concluir o trabalho sem ficar com acesso permanente a tudo o que está por trás da conta. A diretora técnica, Nancy Wang, já tinha defendido no mês passado que as permissões dos agentes fiquem presas a tarefas concretas.

Há lacunas. As contas alojadas no 1Password.eu e no 1Password.ca ainda não são suportadas, e a empresa reconhece que disponibilidade, plataformas, salvaguardas e controlos mudam de parceiro para parceiro. O desenho mantém a palavra-passe longe do agente, mas, depois de entrar, o agente atua dentro da conta com as permissões que a sessão lhe dá. A 1Password não publicou uma auditoria de segurança independente ao sistema.

Referências