A ASI, empresa de Boston que desenvolve software de IA para gerir infraestruturas físicas, angariou 325 milhões de dólares numa ronda Série C que a avalia em 3 mil milhões. A startup anunciou o financiamento na terça-feira, 20 de outubro de 2026. A Spark Capital liderou a ronda, acompanhada por entidades ligadas à Citadel Securities, pela Meritech Capital, pela Craft Ventures, pela Energy Impact Partners e pela Andreessen Horowitz.

A empresa chamava-se anteriormente Air Space Intelligence e mudou a sede de Silicon Valley para Boston em 2024, segundo o Boston Globe. O seu software corre simulações contínuas do futuro de sistemas complexos, combinando modelos determinísticos e probabilísticos para que os operadores antecipem perturbações com horas, dias ou semanas de antecedência. O fundador e presidente executivo, Phillip Buckendorf, contrasta esta abordagem com o enorme investimento do setor em modelos que geram texto e diz que a ASI se concentra em controlar ativos físicos como aviões, navios e redes elétricas.

O crescimento tem sido impulsionado por grandes contratos públicos. Em junho, o Departamento dos Transportes dos Estados Unidos e a Federal Aviation Administration atribuíram à ASI um programa de 12 anos no valor de 875 milhões de dólares para ajudar a modernizar o National Airspace System, a rede que segue e orienta os voos em todo o país. Em outubro, o Exército norte-americano concedeu-lhe um contrato de cinco anos e 99 milhões de dólares ligado aos seus novos sistemas de comando e controlo. A ASI diz trabalhar também com a Força Aérea e com o Comando do Pacífico dos EUA.

No setor privado, a empresa conta entre os clientes a Delta Air Lines, a Alaska Airlines e a United Airlines, e a elétrica National Grid usa a sua tecnologia para planear e operar a rede elétrica. A ASI afirma que o novo capital servirá para alargar a presença na energia, na logística e em operações militares táticas, bem como para reforçar as equipas de investigação e engenharia em Boston.

A Bloomberg enquadra o negócio num renascimento mais amplo das startups norte-americanas de tecnologia de defesa e aeroespacial, com investidores e organismos públicos cada vez mais interessados em software para sistemas militares e críticos. Segundo dados da PitchBook citados pelo Boston Globe, trata-se da oitava maior ronda de capital de risco no Massachusetts este ano e, entre as empresas locais de IA, só fica atrás dos 400 milhões angariados pela Suno em junho.

A ronda é relevante porque a maior parte do investimento em IA tem ido para modelos de linguagem e assistentes de conversação. A avaliação da ASI mostra que os investidores estão dispostos a pagar caro por IA que planeia e otimiza operações reais, onde os erros custam muito e os clientes são governos, companhias aéreas e empresas de serviços públicos, e não consumidores.

Há reservas. As afirmações sobre a rapidez com que a empresa ganhou contratos federais e sobre o seu desempenho em operações reais vêm da própria ASI e dos seus investidores. A ASI não revelou receitas nem rentabilidade, e os programas públicos plurianuais dependem de financiamento contínuo e do cumprimento de metas. O seu papel em sistemas sensíveis de defesa e de tráfego aéreo deverá também atrair escrutínio sobre fiabilidade e supervisão.

Referências