A American Express tornou público a 13 de outubro de 2026 o Intent Intelligence, um enquadramento técnico que guarda o que o titular do cartão autorizou antes de um agente de IA concluir uma compra e que acompanha essa autorização até ao fim da operação. A empresa quer que a especificação sirva de base comum para os pagamentos feitos por agentes e integrou-a no seu kit de desenvolvimento Agentic Commerce Experiences (ACE).
O mecanismo tem quatro fases. Uma API chamada Create Intent recolhe as instruções e os limites do comprador, como o comerciante, o valor máximo e as preferências de produto, e o cliente confirma-os depois de se autenticar. O sistema gera então um Intent ID e um Proof of Intent Token com as principais restrições. Esse token permite obter uma credencial de pagamento digital limitada ao que foi aprovado, que o agente usa no checkout em vez do número real do cartão. Mais tarde, o mesmo identificador e o token podem ser verificados na autorização, na deteção de fraude e em eventuais litígios.
O argumento da Amex é o momento em que a intenção entra no processo. O comunicado sustenta que as soluções atuais a revelam tarde, enquanto este modelo a entrega ao emissor antes da compra. Hannah Bozian, vice-presidente de parcerias e estratégia agêntica, deu à TechCrunch um exemplo: se o cliente pedir ténis Nike brancos tamanho 9 e o agente tentar comprar Adidas, a discrepância pode ser detetada e o pagamento travado. A TokenPost, citando a especificação, acrescenta que as credenciais podem ser limitadas por comerciante, prazo e número de utilizações.
O enquadramento assenta num kit apresentado em abril de 2026. A página para programadores indica que as especificações de Intent Intelligence, Account Enablement e Payment Credentials estão disponíveis desde 14 de abril, enquanto Agent Registration e Cart Context continuam em desenvolvimento. A Amex prepara ainda um programa Agent Purchase Protection para cobrir cobranças elegíveis provocadas por erros de agentes registados, quando a intenção autenticada tiver sido enviada.
A adoção é a grande incógnita. A Amex disse à TechCrunch que ainda não registou um aumento de litígios ligados a compras feitas por agentes e que prefere antecipar-se, citando um inquérito próprio em que 66% dos consumidores norte-americanos admitem usar agentes para comparar preços no próximo ano. A empresa diz estar em conversações com parceiros do setor, a trabalhar com a EMVCo em transações com cartão feitas por agentes e a apoiar a x402 Foundation nos pagamentos nativos da internet.
Para quem desenvolve agentes de compras, a mudança concreta é que uma compra com cartão poderá passar a exigir um registo explícito e assinado do pedido do utilizador, e não apenas uma credencial guardada. Isso pode tornar os agentes mais fiáveis, mas acrescenta um passo de integração que plataformas e comerciantes teriam de suportar.
Por agora, trata-se de um desenho publicado e não de um resultado medido. A Amex não divulgou dados sobre quantas compras indevidas estas verificações travam, e o valor do modelo dependerá de outras redes, emissores e criadores de agentes o adotarem.