A Anthropic anunciou a 16 de outubro de 2026 que o Claude, quase sem intervenção humana, desenhou circuitos quânticos que exigem menos qubits e menos portas lógicas do que as melhores soluções publicadas até agora, num conjunto de oito tarefas de referência. O projeto foi conduzido por Andi Gu no âmbito do programa STEM Fellows da empresa, com o físico quântico Alek Kemeny, da Anthropic, e com Susanne Yelin e Mikhail Lukin, de Harvard, este último também ligado à QuEra Computing. O artigo, com 46 páginas, foi publicado no arXiv a 15 de outubro (arXiv:2610.22367).
O método funciona em circuito fechado. O Claude Mythos 5 recebia uma descrição em linguagem corrente de cada circuito e escrevia implementações em Python; um programa avaliador independente verificava se estavam corretas e atribuía uma pontuação igual ao número de qubits multiplicado pelo de portas, um indicador do tempo de execução; com essa nota, o modelo voltava a tentar, sem qualquer intervenção humana entre rondas. As oito primitivas abrangem cálculo numérico, química, otimização, simulação quântica e teoria dos números. Segundo o resumo do artigo, em sete das oito tarefas os circuitos descobertos reduzem de forma significativa tanto as portas Toffoli como os qubits face ao estado da arte; na oitava, a pesquisa deu origem a uma nova arquitetura reversível para a inversão modular em corpos primos.
Otimizar circuitos quânticos é difícil porque não permitem ramificações como um programa comum nem deixam apagar resultados intermédios. Cada passo tem de ser reversível: os cálculos auxiliares ou são desfeitos, o que custa portas, ou são guardados, o que custa qubits. Foi contra esse compromisso que o Claude trabalhou.
O exemplo principal é a adição de pontos em curvas elípticas, referência habitual porque domina o custo dos ataques quânticos ao problema do logaritmo discreto nessas curvas. A etapa mais cara é a inversão modular. Um método clássico, conhecido como divsteps, é eficiente num computador comum, mas nunca tinha dado um circuito quântico prático, porque uma versão reversível obriga a guardar o registo completo dos ramos seguidos. Ao fim de 53 horas de execução, com pouquíssimas indicações, o Claude propôs deduzir essa informação a partir do próprio par de números, demonstrou novas identidades algébricas para chegar a uma regra exata de descodificação, testou-a com grandes simulações e formalizou-a em Lean. Para a Anthropic, trata-se da primeira implementação reversível de divsteps sem histórico armazenado. Variando o ponto em que compensa guardar em vez de descodificar, o modelo obteve uma família de soluções; uma delas usa mais 12% de qubits, mas 17 vezes menos portas do que a mais pequena das anteriores.
O segundo resultado diz respeito à interferometria quântica descodificada (DQI), uma das vias candidatas a uma aceleração superpolinomial em problemas de otimização, cuja etapa mais pesada é a descodificação Reed-Solomon. O Claude trocou o algoritmo de Euclides estendido pela descodificação de Berlekamp-Massey, reconstruiu a maior parte dos valores temporários em vez de os guardar e simulou 403 milhões de descodificações para dimensionar uma única reserva de 19 qubits, em vez de 665 para o pior cenário, aceitando cerca de uma falha em cada 10 mil execuções, dentro da margem da tarefa. Segundo a Anthropic, o descodificador passa a precisar de 12 vezes menos portas do que a construção anterior da Google.
A empresa compara este ritmo com a história lenta destas estimativas: o número de portas para simular o agregado FeMoco, de uma enzima bacteriana, desceu de cerca de 50 biliões de portas Toffoli em 2017 para cerca de 340 milhões, após oito anos de trabalho de muitos grupos, ao passo que o desenho para curvas elípticas saiu de uma única execução de 53 horas. A Anthropic admite estender o mesmo método a códigos de correção de erros, descodificadores e controlo de hardware.
Há limites claros. Nas primeiras experiências, o Claude mostrou-se conservador, duvidando repetidamente das melhorias e preferindo métodos conhecidos, pelo que os investigadores lhe exigiram várias abordagens em paralelo e, por vezes, o incentivaram a alargar a pesquisa. Os resultados são estimativas de recursos para futuras máquinas tolerantes a falhas, não execuções em hardware quântico, e a ideia de que a computação quântica útil possa chegar mais cedo é uma projeção da Anthropic. O artigo é uma pré-publicação e não foi encontrada qualquer replicação independente.