A Figma aproveitou a sua primeira conferência Config na Índia, realizada em Bengaluru a 15 de outubro de 2026, para lançar um conjunto de funcionalidades com um objetivo comum: fazer com que agentes de IA e equipas humanas trabalhem a partir da mesma intenção de design. As novidades principais são o Specs, um formato de documento baseado em Markdown que vive no canvas da Figma, e a passagem das code layers, que incorporam código funcional dentro dos ficheiros de design, de uma fase de testes restrita para beta aberta.

O Specs funciona como um recipiente partilhado para contexto escrito, como requisitos de produto, planos técnicos ou regras do sistema de design. Uma especificação pode existir como ficheiro autónomo ou ao lado dos designs no canvas e pode incorporar quadros do FigJam, frames e outros elementos, mantendo texto e imagens ligados em vez de dispersos por capturas de ecrã. Basta arrastar um ficheiro .md para o canvas para o converter. O agente da Figma lê as especificações e responde a comentários dentro delas, conectores como GitHub e Hex trazem contexto externo, e o documento final pode seguir para um agente de programação externo através do servidor MCP da Figma. O Specs está a chegar em beta aberta, na web, no computador e no telemóvel, aos planos pagos.

As code layers, apresentadas numa beta privada em junho, permitem construir e comparar protótipos assentes em código real sem sair do canvas. O código pode nascer da conversão de designs existentes, de uma pasta local, de um repositório GitHub, de um agente de programação ligado por MCP ou de uma página web captada com a extensão da Figma para Chrome, e qualquer camada pode voltar a ser convertida em elementos de design editáveis. Segundo a Figma, a beta aberta está disponível em todos os planos e consome créditos de IA, sendo a criação e edição gratuitas nos planos pagos até 4 de novembro de 2026.

Os sistemas de design recebem uma atualização pensada tanto para agentes como para pessoas. As equipas podem juntar diretrizes escritas às bibliotecas publicadas, já em beta aberta, e importar fontes de código de um repositório GitHub ou de um pacote npm, numa primeira fase em beta fechada, para que o agente tenha uma visão mais completa ao gerar componentes. A empresa mostrou ainda uma área central para gerir bibliotecas, com um mapa de dependências e uma verificação que assinala lacunas como descrições em falta. À parte, o Payload, framework de conteúdos de código aberto cuja equipa entrou na Figma no ano passado, passa a estar integrado no Figma Make para publicar sites alimentados por dados, com conteúdos alojados pela própria Figma; o acesso chegará a todos os planos nas próximas semanas.

No capítulo das integrações, a Figma afirma que o seu servidor MCP já permite criar code layers, trabalhar com especificações, gerar imagens e correr fluxos Weave publicados a partir de ferramentas de IA externas, e garante que melhorias de desempenho reduzem erros e consumo de tokens. Anunciou 20 novas integrações de parceiros MCP, entre elas OpenCode, Dia, Junie da JetBrains e Meta Muse, além de uma parceria pensada primeiro para a Índia com a Sarvam, que coloca o Indus ao lado de ferramentas como Claude Code, Cursor e GitHub Copilot. A empresa descreve também o seu agente no canvas como disponível para todos; o TechCrunch noticiou que o agente tinha chegado a um público mais vasto na semana anterior.

A Figma enquadrou os lançamentos na forma como a IA mudou o desenvolvimento de software. Loredana Crisan, diretora de design da empresa, disse ao TechCrunch que hoje se produz cerca de 17 vezes mais código do que antes, mas apenas cerca de 1,3 vezes mais lançamentos, sinal de que boa parte desse código serve para explorar ideias. A Índia é o pano de fundo estratégico: a Figma diz que o país é o seu segundo maior mercado em utilizadores ativos diários, que mais de 30 mil pessoas se inscreveram no evento e que vai estender ao país o programa estudantil Campus Leaders a partir de janeiro de 2027.

Há ressalvas a fazer. O Specs, as code layers e as diretrizes de sistemas de design estão em beta, e as fontes de código em beta fechada, pelo que funcionamento e preços podem mudar. Os números de utilização, os ganhos de eficiência atribuídos à atualização do MCP e as estatísticas de produtividade são da própria Figma e não foram medidos de forma independente. A cobertura do TechCrunch, da Moneycontrol e da Entrackr confirma a lista de funcionalidades; só o TechCrunch junta reportagem própria, através da entrevista a Crisan, e nenhum dos três apresenta testes práticos.

Referências