A Google Cloud está a preparar a entrada em serviço do próximo sistema de bastidor da NVIDIA. Numa publicação feita para a GTC Berlim, a 21 de outubro de 2026, a NVIDIA indicou que as instâncias A5X da Google Cloud, assentes no Vera Rubin NVL72, vão ficar disponíveis de forma geral no próximo mês, estando prevista depois a expansão para a Europa. O título fala em disponibilidade geral, mas o texto remete-a para o mês seguinte, pelo que convém encarar as A5X como iminentes e não como já abertas.

Cada sistema A5X junta um bastidor Vera Rubin NVL72 às placas de rede ConnectX-9 SuperNIC da NVIDIA, à rede Virgo dos centros de dados da Google e à quarta geração de refrigeração líquida da empresa. As duas companhias apontam-no a inferência agêntica e a aprendizagem por reforço em grande escala, cargas que geram experiência, a avaliam e atualizam o modelo vezes sem conta. Segundo a NVIDIA, as instâncias integram o AI Hypercomputer da Google como um único sistema de computação, rede e armazenamento.

O número que salta à vista é a ambição de escala. A Google Cloud quer levar a sua infraestrutura Vera Rubin até 960 mil GPUs Rubin, distribuídas por vários locais, de acordo com a NVIDIA. Nenhuma das empresas avançou um calendário nem a parte que ficará na Europa, e o valor traduz uma intenção, não capacidade já instalada.

Há dois primeiros utilizadores identificados. A Ineffable Intelligence, empresa londrina fundada por David Silver, criador do AlphaGo, foi o primeiro cliente das A5X e usa-as em investigação de aprendizagem por reforço orientada para aquilo a que Silver chama superaprendizes, sistemas que melhoram com a própria experiência. O fundador atribui à largura de banda entre o CPU Vera e as GPUs Rubin, e entre as GPUs do mesmo bastidor, a possibilidade de levar as experiências mais longe. A WPP, grupo de marketing, testou nas A5X uma arquitetura de referência de agentes criativos com modelos Nemotron e o ambiente isolado OpenShell da NVIDIA, e diz que trabalhos que costumavam exigir um cluster de vários nós couberam numa única instância nos primeiros ensaios.

A proteção de modelos e dados em hardware alugado é o outro eixo. A NVIDIA afirma que a Google Cloud estará entre os primeiros fornecedores a oferecer a sua computação confidencial à escala do bastidor em instâncias bare metal como as A4X Max, com GB300 NVL72. Em paralelo, a Google anunciou a disponibilidade geral das máquinas virtuais Confidential G4, com GPUs RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition, em 36 zonas. Os testes da própria Google indicam uma perda de débito inferior a 3,5% face às G4 normais em modelos como Llama 3 e SDXL, resultado que a empresa admite depender da configuração.

As duas empresas dizem ainda estar a estudar o NVIDIA DSX MaxLPS para a frota Vera Rubin, uma forma de extrair mais desempenho por watt de orçamentos energéticos fixos. Não foram apresentados resultados.

Para laboratórios de IA e empresas, o anúncio indica quando a capacidade Vera Rubin passa a estar disponível para aluguer numa grande nuvem e como a Google pretende disputar o treino de modelos de fronteira e a aprendizagem por reforço. Não foram divulgados preços, regiões nem dados de desempenho independentes, e os resultados de clientes vêm das próprias empresas e dos seus parceiros.

Referências