Dois diários japoneses noticiaram a 13 de outubro de 2026 que a NTT Data Group, braço de serviços informáticos do grupo de telecomunicações NTT, está perto de fechar com a Anthropic a construção do primeiro centro de dados dedicado da empresa norte-americana no Japão. O Nikkei fala em negociações na reta final; o Asahi Shimbun, com fontes próprias, aponta para um terreno na zona costeira de Osaka. Ainda não há contrato assinado nem anúncio oficial.
Os valores impressionam à escala japonesa. De acordo com o Nikkei, a instalação poderá ter uma capacidade de receção elétrica de até 500 megawatts e um custo de construção que pode atingir um bilião de ienes, cerca de 6,3 mil milhões de dólares. O Asahi refere os mesmos 500 megawatts e um orçamento da ordem do bilião de ienes, acrescentando que seria um dos maiores centros de dados do país.
O calendário é longo. Segundo o Nikkei, citado pela Reuters, a operação parcial poderá arrancar já em 2028, e as duas partes pretendem assinar um acordo formal antes do fim do ano fiscal japonês de 2026, a 31 de março de 2027. A NTT não quis comentar quando contactada pela Reuters, e não foi encontrada qualquer declaração da Anthropic nas fontes consultadas.
Para a Anthropic, o projeto alteraria a forma como garante capacidade de computação na Ásia. O Asahi escreve que Osaka deverá tornar-se a primeira base de centros de dados da empresa na região e que a Anthropic quer várias instalações no continente. A empresa abriu no outono passado um escritório em Tóquio, o primeiro na Ásia-Pacífico, e o jornal associa o plano a uma expansão mais ampla no Japão e nos mercados vizinhos.
A NTT Data, por seu lado, ganharia um campus de referência para IA no seu mercado doméstico. Dedicar tanta capacidade nova a um único criador de modelos de fronteira aumenta a importância dos termos finais do contrato, incluindo eventuais compromissos de utilização a longo prazo.
Há várias perguntas sem resposta. As notícias não indicam que equipamento será usado, como será assegurado o abastecimento elétrico, nem se a Anthropic arrendará o edifício, a capacidade ou ambos. Os 500 megawatts correspondem à capacidade máxima de receção, não a uma primeira fase confirmada, e os custos deste tipo de obra costumam mudar.
Enquanto nenhuma das empresas confirmar o entendimento, o projeto deve ser visto como uma negociação avançada relatada por imprensa japonesa bem informada, e não como um negócio fechado. O próximo sinal será a eventual assinatura antes do prazo de março de 2027 indicado pelo Nikkei.