A Nvidia está em conversações preliminares que podem levar a um reforço do investimento na Reflection AI, ao fornecimento de mais capacidade de computação à startup ou mesmo à sua compra, segundo notícias publicadas a 10 e 11 de outubro. O Financial Times avançou a informação no sábado, com base em pessoas conhecedoras do processo, e a Bloomberg confirmou as negociações no dia seguinte através de uma fonte própria. Nenhuma das empresas confirmou o que quer que seja: a Nvidia não respondeu aos pedidos de comentário e a Reflection recusou pronunciar-se junto da Bloomberg.
Os dois meios sublinham que as conversas estão numa fase muito inicial. A fonte da Bloomberg garante que não há termos acordados. De acordo com o FT, o negócio pode assumir várias formas: uma participação maior no capital, um acordo para entregar mais chips ou uma operação de "acqui-hire", em que a Nvidia contrataria a equipa da Reflection e licenciaria a sua tecnologia sem comprar a empresa. Esta última via, nota o jornal, poderia evitar uma análise regulatória demorada. O FT admite um acordo dentro de semanas, mas avisa que as conversações ainda podem falhar. A Reuters, que difundiu a notícia do FT, indicou não a ter conseguido confirmar de imediato.
A Nvidia já conhece bem a Reflection. Segundo o FT, a fabricante de chips investiu 800 milhões de dólares na empresa e é um dos seus principais apoiantes financeiros e estratégicos. A Reflection foi fundada em 2024 por dois antigos investigadores da Google DeepMind, Misha Laskin e Ioannis Antonoglou. Laskin, que lidera a empresa, disse à CNBC em abril que estava a captar capital com uma avaliação de 25 mil milhões de dólares antes do investimento, e o Wall Street Journal noticiou negociações para angariar 2,5 mil milhões a esse nível.
As conversas surgem logo depois do primeiro grande lançamento da startup. A 5 de outubro, a Reflection apresentou o Beam, um modelo de mistura de especialistas com 501 mil milhões de parâmetros no total e 23 mil milhões ativos, pensado para programação, raciocínio e tarefas de agentes. A empresa promete divulgar os pesos ainda este mês, com licença Apache 2.0, relatório técnico e ficha do modelo, e afirma que o Beam iguala o chinês GLM-5.2 em testes de raciocínio avançado com três a quatro vezes menos computação na inferência. Esses números são da própria Reflection, não tinham verificação independente à data do anúncio e os pesos continuam por publicar.
Por trás de tudo está a aposta norte-americana em modelos de pesos abertos. O FT descreve a Reflection como uma empresa que a administração Trump espera ver competir com as alternativas chinesas mais baratas, e a Bloomberg recorda o plano de ação para a IA de 2025, segundo o qual modelos abertos assentes em valores americanos poderiam tornar-se padrões globais. Jensen Huang, presidente executivo da Nvidia, defende abertamente este tipo de modelos, e a empresa tem a sua própria família Nemotron.
Uma aliança alargada somar-se-ia a uma série de grandes negócios da Nvidia. A Bloomberg menciona um acordo de 13 mil milhões de dólares para comprar a Hugging Face em setembro e um pacto de licenciamento com a Groq, fabricante de chips, avaliado em cerca de 20 mil milhões. Um papel maior na Reflection colocaria a Nvidia dos dois lados do mercado de modelos abertos: a vender o hardware usado para treinar e servir modelos e, ao mesmo tempo, a financiar ou controlar uma das equipas que os desenvolvem.
Por agora, a notícia assenta em fontes anónimas de duas organizações jornalísticas, sem declarações das empresas e sem preço ou estrutura conhecidos. Com hipóteses que vão de um simples acordo de computação a uma aquisição total, o eventual negócio pode acabar por ser bem diferente do que os títulos sugerem.