A divulgação de duas vulnerabilidades graves no núcleo do PHP, a 21 de outubro de 2026, chegou acompanhada de versões corrigidas e de uma história pouco habitual sobre a forma como foram detetadas. Segundo a OpenAI, a empresa de segurança Calif encontrou uma das falhas com o GPT-5.6 Sol, no âmbito do programa Patch the Planet, enquanto a Wiz descobriu e reportou as duas por conta própria. Durante cerca de dois meses, a OpenAI articulou mantenedores, investigadores e fornecedores de infraestrutura para que correções e proteções estivessem prontas antes do anúncio.
As falhas têm os identificadores CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619. De acordo com o aviso do projeto PHP, na primeira uma situação de falta de memória interrompe o PHP quando os dados do pedido ainda estão incompletos, e a limpeza posterior trata esses dados corrompidos como válidos. Na segunda, um estado interno associado ao pedido sobrevive depois de a memória ser libertada e pode ser reutilizado por um pedido seguinte no mesmo processo. O PHP admite execução remota de código sem autenticação e considera o mod_php a configuração mais exposta, com um exploit funcional que atua antes de qualquer código da aplicação. A Google Cloud indica uma pontuação CVSS de 9,2 para cada uma.
As versões corrigidas são o PHP 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35, e a Google Cloud considera afetadas todas as edições entre a 5.4 e a 8.5.11. O PHP 8.1 e anteriores já não têm suporte, mas a equipa de segurança publicou retroportes mínimos de código para as versões 7.4, 8.0 e 8.1, dada a gravidade, e as distribuições Linux receberam os patches com antecedência. O aviso enumera medidas provisórias, como limites de memória e de envio de ficheiros, sublinhando que só a atualização resolve de vez o problema. A Reuters noticiou que uma agência europeia alertou para a possibilidade de alguns sites terem de ficar offline enquanto se preparavam as correções.
A OpenAI classifica o caso como um dos problemas de segurança mais marcantes dos últimos tempos e usa-o para defender um modelo de resposta em cinco etapas: validar e corrigir a falha na origem, incluindo testes adversariais com modelos de fronteira; dar tempo às organizações afetadas; envolver os governos; preparar atualizações nos vários produtos; e publicar orientações. No caso do PHP, a empresa diz ter contactado a Super Intelligence Force da Casa Branca, o Office of the National Cyber Director e a CISA, em conjunto com parceiros como a Wiz e a Cloudflare.
O anúncio trouxe também dinheiro e ferramentas. A OpenAI afirma ter reservado mil milhões de dólares em acesso subsidiado ao Daybreak, o seu produto de segurança, destinado a entidades com poucos recursos que protegem serviços essenciais, e disponibilizou um verificador de versões do PHP sob a forma de skill do Codex. Está ainda a afinar classificadores de bloqueio no Daybreak para travar abusos, reconhecendo que esses filtros podem impedir investigação legítima.
Segundo a empresa, estas falhas são apenas algumas das várias vulnerabilidades sérias que já identificou, e o número de casos semelhantes deverá crescer depressa nos próximos meses. A OpenAI pede contributos à comunidade sobre a duração das janelas de divulgação, quem deve ser avisado primeiro e se governos ou operadores poderão alguma vez corrigir sistemas de que perderam o controlo.
Vários elementos dependem da versão da própria OpenAI. A ideia de que a IA encontrou as falhas antes dos atacantes é apresentada apenas como aquilo que a empresa sabe, e não se detalha a repartição do mérito entre o trabalho da Calif e a investigação independente da Wiz. O modelo de divulgação é uma proposta em consulta e o montante de mil milhões refere-se a acesso subsidiado, não a subsídios em dinheiro.