A Anthropic explicou a 27 de outubro como a sua equipa de ciências da vida passou os últimos meses a integrar o Claude em programas reais de medicamentos, e não apenas em testes isolados. A empresa nomeou seis parceiros, BigHat Biosciences, Bristol Myers Squibb, Divergence Labs, Enveda, Generate Biomedicines e The Column Group, e disse ter iniciado trabalho de descoberta próprio. Cada caso é acompanhado de um relatório técnico ou de uma pré-publicação, e a Anthropic diz querer alargar muito este esforço.
A lógica é que os estrangulamentos no desenvolvimento de fármacos estão espalhados pela escolha do alvo, pelo desenho da molécula, pelo fabrico, pela documentação regulamentar e pelo planeamento dos ensaios, pelo que um modelo tem de ser útil em todas essas fases. Os casos foram escolhidos para mostrar essa amplitude.
Na Generate Biomedicines, seis cientistas usaram o Claude Code para redesenhar parte das instruções genéticas de uma terapia CAR T, com o objetivo de libertar espaço para que o tratamento pudesse atacar tumores sólidos. Um dos desenhos era cerca de 70% mais curto do que o padrão e, em laboratório, levou as células imunitárias a produzir cerca de dez vezes mais recetores e a eliminar células tumorais com mais eficácia. A Divergence Labs, que procura uma nova abordagem às alergias alimentares, pôs o Claude a transformar os seus objetivos num plano de desenho e depois a gerar cerca de 35 mil candidatos a anticorpo em cerca de um mês, obtendo resultados iniciais para as duas partes de um futuro medicamento.
A BigHat Biosciences ligou o Claude ao seu sistema de dados laboratoriais e testou cerca de 1010 variantes de dois fragmentos de anticorpo em cerca de dez semanas. Segundo a Anthropic, as melhores versões ligavam-se mais de dez vezes mais fortemente, e o Claude e um investigador perceberam que as métricas habituais de estabilidade eram enganadoras e propuseram alternativas. Na Enveda, o Claude analisou 1061 páginas de registos de fabrico, detetou os 11 problemas encontrados pelos revisores humanos e mais sete que lhes tinham escapado, e reduziu o tempo de revisão em 89%. Redigiu também um documento regulamentar em quatro horas, quando normalmente seriam precisos cerca de três meses.
A Bristol Myers Squibb usa o Claude para avaliar planos de um ensaio clínico em fase inicial e estimar as probabilidades de sucesso, e as duas empresas pretendem alargar esse trabalho em 2027. Com a The Column Group, a Anthropic apoia a criação da Pleiades, nova empresa pensada para gerir, com recurso ao Claude, mais programas de medicamentos do que uma equipa pequena normalmente conseguiria.
O ponto mais invulgar é uma aquisição. A Anthropic comprou a Mithril Medicine, empresa gerida por um único fundador, Cody Tranbarger, que usou o Claude para coordenar contratos, logística e experiências com 11 laboratórios externos enquanto desenvolvia tratamentos para duas formas raras de distrofia muscular infantil. A Anthropic diz que a Mithril levou um candidato da ideia a resultados promissores em ratinhos em menos de 18 meses e que um ensaio em humanos poderá começar já no final de 2028, se os resultados se confirmarem. Os termos do negócio não foram divulgados.
Os limites são evidentes. Quase todo o trabalho é pré-clínico, os números vêm da Anthropic e dos parceiros, e os resultados laboratoriais com moléculas muitas vezes não se traduzem em medicamentos aprovados. O relatório funciona também como promoção do Claude Science, a bancada de investigação da Anthropic, e do seu Life Sciences Verification Program, que dá a organizações verificadas acesso aos modelos mais potentes com salvaguardas menos restritivas.