A Anthropic divulgou na terça-feira, 20 de outubro de 2026, uma investigação sobre a forma como os modelos Claude podem reduzir a quantidade de código ao alcance de um atacante, em vez de perseguir falhas uma a uma. O texto, assinado por Chris Rohlf, da equipa Frontier Red Team, indica que o Claude analisou 25 projetos de código aberto, com mais de cinco milhões de linhas em C, C++, Java, PHP e Python, e assinalou 493 problemas. O resultado mais palpável diz respeito ao OpenSSH, cujos mantenedores publicaram correções na versão 10.6 depois de a Anthropic lhes enviar as conclusões e propostas de patches.
A lógica é direta: uma vulnerabilidade ainda por descobrir faz menos estragos se o código onde se esconde não puder ser alcançado. A Anthropic procurou três padrões. Primeiro, código deixado exposto pela configuração de origem sem que nenhuma funcionalidade predefinida precise dele. Depois, pares de opções que parecem sensatos isoladamente mas anulam uma proteção quando usados em conjunto. Por fim, código complexo e sensível do ponto de vista da segurança que corre antes da autenticação, sem qualquer ação da vítima ou antes de uma mudança de estado do protocolo. Colocar esse código atrás de uma barreira não elimina erros, mas reduz a sua gravidade.
O Claude começou por inventariar mais de 17 mil opções de configuração nos vários projetos, das quais 3842 controlavam funções ou mecanismos relevantes para a segurança. A Anthropic dividiu os projetos em serviços públicos, serviços reservados a utilizadores autenticados e ferramentas privadas. Os onze projetos do segundo grupo tinham todos código alcançável quando não devia: 93 superfícies desnecessárias antes da autenticação na configuração predefinida, 37 pontos onde se executava código ou se guardava estado antes do login e 61 combinações de opções que enfraqueciam um controlo prévio à autenticação. Segundo a empresa, nenhum destes casos era explorável por si só.
Os conflitos de configuração deram alguns dos resultados mais marcantes. O Claude encontrou 162 combinações relevantes para a segurança aceites sem erro, aviso ou documentação; em 94 delas, uma proteção ficava desligada sem que ninguém soubesse. Um mesmo defeito surgiu em quatro projetos sem relação entre si: regras de bloqueio escritas com nomes de anfitrião nunca coincidem quando a resolução inversa de DNS está desativada, pelo que a lista deixa tudo passar. Noutro caso, duas opções combinadas faziam com que um servidor que exigia certificados de cliente aceitasse qualquer pessoa, um conflito que, segundo a Anthropic, existia há 21 anos.
Em proporção do código, o OpenSSH foi o projeto com maior redução. Na versão 10.4, o Claude identificou cerca de 4500 linhas do novo código de assinatura pós-quântica ML-DSA-44 que um cliente sem autenticação conseguia atingir com as definições de origem, mesmo quando o administrador tinha excluído o algoritmo. A Anthropic estima que isso correspondia a cerca de 16% do código pré-autenticação de um sshd predefinido. A versão 10.5 antecipou a verificação, mas o Claude descobriu depois duas formas de a contornar: anunciar um tipo de chave e enviar outro, e a validação de assinaturas de autoridades de certificação antes de a configuração ser consultada. Após várias iterações com os mantenedores, as verificações passaram para dentro do próprio analisador. Segundo a Anthropic, a versão 10.6 retirou cerca de um quinto do código acessível antes do login numa compilação predefinida.
A empresa transformou o método numa competência reutilizável do Claude, com três passagens que arrancam sempre com contexto limpo, confirmação das descobertas por rastreio dinâmico e execução dos testes do próprio projeto para garantir que as novas barreiras não alteram o comportamento predefinido. Alterações que mexam em configurações não predefinidas ficam para decisão humana. A Anthropic diz estar a integrar esta competência no OSS-Scanner.
Todos os números vêm da própria Anthropic. A publicação não identifica a maioria dos 25 projetos, não diz quantos dos 493 problemas foram aceites pelos mantenedores nem apresenta taxas de falsos positivos ou custos, e o caso do OpenSSH é o único descrito em pormenor.