A inteligência artificial passou a ser o maior negócio da SpaceX. Nos resultados do terceiro trimestre entregues na terça-feira, 20 de outubro de 2026, à comissão de valores mobiliários norte-americana, a empresa de Elon Musk indicou que o segmento Super Intelligence (SI) teve receitas de 7,56 mil milhões de dólares nos três meses terminados a 30 de setembro, contra 2,56 mil milhões no segundo trimestre e 813 milhões um ano antes. É mais de metade da faturação total de 14,6 mil milhões, que cresceu 161% face aos 5,6 mil milhões do mesmo período de 2025.

O segmento, que junta os modelos Grok, a rede social X, a ferramenta de programação Cursor e uma operação de computação em rápido crescimento, registou ainda um lucro operacional de 431 milhões de dólares, depois de um prejuízo de 1,26 mil milhões no trimestre anterior. A SpaceX sublinha que o valor já inclui 1,2 mil milhões em remunerações em ações associadas à compra do Cursor. A maior parte das receitas, 7,02 mil milhões, veio de soluções e infraestrutura de SI, e a publicidade contribuiu com 538 milhões.

A empresa aponta três motores: novos contratos de serviços na nuvem, a aquisição do Cursor e a maior adoção do Grok por empresas e consumidores. A Reuters noticiou que o dinheiro vem sobretudo do aluguer de capacidade de centros de dados a outras empresas de IA, entre elas a Anthropic, a Google e a Reflection AI, o que aproxima esta unidade de um fornecedor de nuvem mais do que de um laboratório de modelos. A capacidade nominal chegou a 1,7 GW no fim de setembro, face a 1,4 GW três meses antes e 0,6 GW um ano antes, enquanto avança a construção do COLOSSUS II.

O Cursor já pesa nas contas. A SpaceX concluiu a compra a 14 de agosto de 2026, com um valor implícito de 60 mil milhões de dólares, uma contrapartida contabilística de 42,5 mil milhões e mais 23,4 mil milhões em prémios em ações ligados a serviço futuro. Entre o fecho do negócio e o fim do trimestre, o Cursor somou 608 milhões de receitas. O documento refere ainda o lançamento do Grok Bot, descrito como um sistema agêntico sempre ativo.

A expansão custa caro. O investimento em SI foi de 16,4 mil milhões dos 19,6 mil milhões gastos pelo grupo no trimestre, e o TechCrunch noticiou que o diretor financeiro, Bret Johnsen, prevê entre 35 e 40 mil milhões de investimento no quarto trimestre. No conjunto, a SpaceX lucrou 4,4 mil milhões, contra um prejuízo de 1,1 mil milhões um ano antes, embora continue ligeiramente no vermelho nos primeiros nove meses de 2026.

Os analistas esperavam menos. A Fortune, com base no consenso da Visible Alpha, diz que as receitas de SI superaram a previsão de 6,47 mil milhões, e a Reuters situa o consenso para as receitas totais em 12,72 mil milhões, segundo a LSEG. As ações subiram cerca de 2,5% na negociação após o fecho, segundo a Reuters. Johnsen apontou para receitas entre 33 e 37 mil milhões no primeiro trimestre de 2027, de acordo com o TechCrunch, e Musk previu na transmissão para investidores que as receitas recorrentes anuais chegarão a um valor entre 500 mil milhões e um bilião de dólares até ao fim de 2027.

Estas perspetivas são projeções da gestão e não resultados, e a previsão de Musk para as receitas recorrentes não tem fundamentação publicada. O lucro trimestral depende também de critérios contabilísticos: o EBITDA ajustado de SI, de 5,0 mil milhões, exclui amortizações e remunerações em ações, e a SpaceX já avisou que a unidade vai precisar de investimento continuado antes de ser lucrativa de forma consistente.

Referências