Há uma semana, as notícias davam a OpenAI como prestes a fechar uma angariação privada de até 30 mil milhões de dólares. Agora, a ambição encolheu. O Financial Times noticiou na sexta-feira, 30 de outubro, que a criadora do ChatGPT baixou o objetivo em cerca de 10 mil milhões, para aproximadamente 20 mil milhões. No sábado, a CNBC disse ter confirmado por fontes próprias o novo teto de 20 mil milhões, e o Wall Street Journal escreveu que os investidores se comprometeram, até agora, com apenas cerca de 11 mil milhões.

O preço não voltou a mexer. De acordo com o FT, citado pela Reuters, a OpenAI continua a pedir uma avaliação de 1,25 biliões de dólares, valor fixado no fim de outubro depois de ter proposto 1,4 biliões a alguns investidores. Os meios de comunicação descrevem o número de forma diferente: a CNBC chamou-lhe antes uma avaliação pré-investimento, mas agora atribui ao FT uma base pós-investimento. A distinção pesa na fatia da empresa que os novos acionistas receberiam e ainda não foi esclarecida em público.

As notícias mostram também como a ronda está a ser montada. O FT indicou que a OpenAI marcou sexta-feira como prazo para os compromissos e que o primeiro fecho deverá ficar abaixo dos 20 mil milhões, porque alguns investidores cortaram as suas participações. Um consórcio dos Emirados Árabes Unidos, que inclui o fundo estatal MGX, deverá ser o maior participante, e a OpenAI ganharia a opção de arrendar nova capacidade de computação construída na região. A Founders Fund, a Coatue, a Sequoia Capital e a Andreessen Horowitz também deverão entrar. Para compensar a diferença, pessoas com grandes fortunas poderão investir mais tarde numa oferta de retalho à mesma avaliação, segundo o FT, e o Journal acrescenta que a empresa vai procurar family offices nas próximas semanas.

A fonte da CNBC sublinhou que a ronda ainda não fechou e que os números podem mudar. A OpenAI não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters, da CNBC nem da TechCrunch, e a MGX, a Coatue, a Sequoia e a Andreessen Horowitz também não responderam à Reuters. Nenhum dos valores foi confirmado pela empresa.

O momento ajuda a explicar a quebra. As ações tecnológicas caíram com força no final de outubro, com os investidores a duvidar do retorno dos enormes montantes aplicados em centros de dados e GPU. A Reuters assinalou que o Nasdaq perdeu 2,9% na sexta-feira e está 7,8% abaixo do máximo de fecho de 6 de outubro. A CNBC referiu quedas de 25% na Intel, após previsões fracas, de 5,5% na Micron e de 4% na Nvidia no mesmo dia, e lembrou que a Microsoft, a Alphabet e a Amazon apresentaram na semana anterior números ou previsões de investimento abaixo do esperado pelos analistas.

A concorrência é o outro ponto de pressão. Segundo a Reuters, a OpenAI quer concluir esta ronda em parte para se antecipar à entrada em bolsa da Anthropic, já que ambas disputam praticamente os mesmos investidores. Dados citados pelo Journal, resumidos pelo Investing.com, mostram as receitas trimestrais da Anthropic a mais do que duplicar, para 11,6 mil milhões, impulsionadas pela procura do Claude Code, enquanto as da OpenAI subiram cerca de 18%, para 6,7 mil milhões, com prejuízos operacionais maiores. A Anthropic já pediu a admissão em bolsa, prevista para o próximo mês; a OpenAI prepara a sua para 2027.

Mesmo 11 mil milhões seriam uma angariação privada gigantesca, e 1,25 biliões continua a ser uma avaliação extraordinária para uma empresa não cotada. O sinal está na tendência: em poucas semanas, a OpenAI reduziu tanto o tamanho como o preço desta ronda. Falta saber se a oferta de retalho e o dinheiro dos family offices vão cobrir a diferença e em que condições fica o primeiro fecho.

Referências