A Fal, empresa de São Francisco que executa modelos de imagem, vídeo e áudio para programadores, voltou a levantar uma ronda de grande dimensão, numa altura em que a procura por inferência continua a superar a oferta. Numa publicação de 3 de novembro de 2026, a empresa anunciou uma Série F liderada pela Bessemer Venture Partners, com a NVIDIA como investidora estratégica, e revelou pela primeira vez uma Série E conduzida pela Sequoia Capital e fechada no início do ano. O texto da Fal não indica valores para nenhuma das rondas.

Os números vêm da imprensa. A Bloomberg, citada pelo TechCrunch e pelo The Next Web, avançou que a Série F angariou 1,3 mil milhões de dólares e avaliou a Fal em 16 mil milhões, o dobro dos 8 mil milhões atribuídos em abril. A Sound Ventures e a T. Rowe Price também participaram, segundo essas notícias, e o The Next Web junta a HOF Capital e diz que a ronda ficou fechada em outubro. O TechCrunch escreve que a Fal situou em cerca de 1,65 mil milhões o total somado das duas rondas, e a Axios registou o mesmo montante e a mesma avaliação na sua lista de negócios.

O negócio da Fal é servir media generativa, não conversação. Os programadores acedem a milhares de modelos, próprios ou de grandes laboratórios, através de uma única API, e quem cria modelos usa a plataforma para distribuição e alojamento sem servidores dedicados. A Bessemer, que acompanha a Fal desde a Série B, há dois anos, defende na sua nota de investimento que os modelos de imagem e vídeo exigem uma gestão de memória, computação e latência diferente da dos modelos de texto, que geram um token de cada vez, e afirma que clientes como Adobe, Canva, Shopify, World Labs e Amazon passaram volume de produção para a Fal. Estas afirmações sobre clientes são do investidor e não foram verificadas de forma independente.

A capacidade é a principal razão para o dinheiro. O presidente executivo, Burkay Gur, contou que no verão a Fal deixou de conseguir servir todos os clientes e teve de lhes impor limites de utilização, segundo o The Next Web. A empresa vai investir em mais poder de computação e no crescimento de uma equipa de cerca de 185 pessoas, e começou a afinar modelos de vídeo em conjunto com os laboratórios que os criam, por vezes em troca de licenças ou de uma parte das receitas. A própria Fal diz que as rondas financiam trabalho em todo o seu ecossistema em 2027, incluindo nova investigação.

As receitas cresceram depressa, de acordo com as notícias: a Fal terá ultrapassado este ano 800 milhões de dólares de receita anualizada, segundo uma pessoa conhecedora do assunto citada pela Bloomberg e pelo The Next Web. A empresa não confirmou publicamente esse valor.

A operação surge num mercado concorrido e caro. O The Next Web lembra que a Modal levantou 750 milhões de dólares com uma avaliação de 15,75 mil milhões em outubro e que a Fireworks angariou 1,5 mil milhões a 17,5 mil milhões em julho, enquanto a Baseten estará a procurar uma avaliação bem superior. O TechCrunch, com base em fontes conhecedoras das contas destas empresas, refere que as margens brutas do setor continuam estreitas, porque comprar ou alugar capacidade de computação custa muito.

A entrada da NVIDIA aproxima a Fal do seu principal fornecedor de hardware, e a dimensão da ronda mostra que os investidores esperam que a geração de vídeo e áudio venha a pesar muito na procura de inferência. Ficam por responder as perguntas que o anúncio deixa em aberto: as margens da Fal, quanto do novo capital se destina a compromissos de computação e se o crescimento se mantém quando concorrentes com financiamento semelhante acrescentarem capacidade.

Referências