A Google está a mudar a forma como as suas ferramentas de IA chegam aos alunos mais novos. Num conjunto de anúncios dedicados à educação, publicado a 3 de novembro de 2026, a empresa revelou que o Guided Learning, um modo do Gemini que acompanha o estudante na resolução de um problema em vez de lhe entregar a solução, passa a estar disponível em todo o mundo no Google Classroom. Uma experiência semelhante será testada no Google Search, ainda este mês, num grupo restrito de escolas dos Estados Unidos. No mesmo texto, a Google indicou que o acesso ao Gemini, ao Gemini Notebook, ao Gemini in Classroom e ao Google Search ficará totalmente desligado nas contas de alunos K-12 até que um administrador escolar ative cada produto de forma explícita.

A nova regra inverte o rumo seguido no verão. O blogue Workspace Updates tinha anunciado que, a partir de 10 de agosto de 2026, o Gemini in Classroom ficaria acessível a estudantes de todas as idades, do básico ao ensino superior, desde que os administradores já tivessem autorizado o Gemini ou o Gemini Notebook, com o separador do Gemini ligado por omissão. Em setembro, a Education Week relatou que muitos distritos foram apanhados de surpresa e tiveram de decidir quase de um dia para o outro se o bloqueavam. A Google afirma agora que a mudança resulta do diálogo com escolas, professores, investigadores e decisores políticos. A medida ainda não está em vigor: a empresa diz que partilhará os pormenores com as escolas nos próximos meses, não avança datas e não explica o que significará, na prática, desligar o Google Search numa conta de aluno.

No Classroom, é o professor quem atribui a atividade de Guided Learning, que passa a funcionar como um apoio individual ao estudo assente nos materiais da própria turma, com indicadores em tempo real sobre as dificuldades dos alunos. A Google conta que ajustou o lançamento depois de um piloto de quatro semanas feito com a Ark em três escolas secundárias do Reino Unido, onde alguns docentes pediram mais visibilidade sobre o trabalho dos estudantes e menos distrações nas aulas. A resposta foi acrescentar esses indicadores e reforçar a ligação aos conteúdos curriculares carregados pelos professores.

O piloto na Pesquisa segue outra lógica. Quando os sistemas da Google percebem que uma conta de aluno procura certos tipos de ajuda com os trabalhos de casa, como um problema de física colado na caixa de pesquisa ou o pedido de um relatório de leitura, a Pesquisa guia o estudante pelo raciocínio passo a passo, sem saltar para uma resposta acabada. A empresa quer recolher a opinião dos educadores antes de alargar a funcionalidade a outros distritos nos próximos meses.

Para sustentar a abordagem, a Google recorre a estudos próprios. Num ensaio aleatorizado com mais de 300 estudantes da Universidade de Tóquio, que estudaram uma lição de estatística durante meio dia, quem usou apenas recursos habituais da web melhorou 5,3 pontos percentuais nos testes, ao passo que quem teve também acesso ao Guided Learning na aplicação Gemini subiu 8,1 pontos. A Google apresenta o resultado como um ganho de aprendizagem 1,5 vezes superior e admite que o número pode parecer modesto para uma única sessão.

O pacote inclui ainda financiamento e formação. A Google.org compromete mais de 9,5 milhões de dólares com cinco organizações que trabalham com professores, entre as quais a City University of New York, o Krause Center for Innovation, a Teaching Lab e a Fab AI, que segundo a Google colabora com a Google DeepMind e a Fundação Gates em modelos abertos para planear aulas e apoiar a iniciação à leitura. A formação gratuita Google AI Educator Series, já disponível nos EUA, na Índia, na Coreia, na Malásia, nas Filipinas, no Reino Unido e na Irlanda, chegará ao Brasil, ao México, a Espanha, à Austrália e à África subsariana nos próximos meses, e os novos módulos norte-americanos entram em funcionamento a 4 de novembro.

Para as escolas, a ativação voluntária deixa a decisão sobre o acesso dos alunos à IA claramente nas mãos dos administradores, o que responde à principal crítica feita ao lançamento de agosto, mas obriga os distritos que queiram manter o Gemini para os mais novos a agir. Ficam várias perguntas por responder: quando entram em vigor os novos controlos, o que acontece às definições atuais e o que abrange a restrição na Pesquisa. Os ganhos de aprendizagem resultam de estudos conduzidos pela própria Google e não foram replicados de forma independente.

Referências