Vista do espaço, uma floresta tropical intacta, uma plantação de eucalipto e uma exploração de palma-dendém podem parecer a mesma mancha verde. A Google DeepMind e a Google Research, com o World Resources Institute e o International Institute for Applied Systems Analysis, divulgaram a 22 de outubro um mapa construído por um modelo de IA para as distinguir. O Forest Typology 2020, ou ForTy, atribui cada quadrado de 10 por 10 metros do planeta a um de seis tipos de floresta e uso do solo, acompanhado de uma série anual preliminar de 2017 a 2025.

O motor prático é a regulação. As regras da União Europeia sobre produtos livres de desflorestação proíbem bens como café, cacau e óleo de palma cultivados em terrenos que eram floresta no fim de 2020 e depois convertidos em agricultura, bem como madeira de florestas primárias ou em regeneração natural transformadas em plantações. Os mapas simples de coberto arbóreo não respondem a estas perguntas. O ForTy sucede ao mapa Natural Forests of the World 2020, dos mesmos parceiros, que apenas separava floresta natural do resto.

As seis classes seguem definições da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura: floresta primária, floresta em regeneração natural, floresta plantada, floresta de plantação, culturas arbóreas e agrofloresta, e outros terrenos. Como algumas dependem da gestão do terreno e não do seu aspeto, a equipa reuniu cerca de 1,7 milhões de locais rotulados a partir de levantamentos de especialistas, bases nacionais e regionais e revisões dirigidas aos pontos onde o modelo errava. O modelo usa como entrada principal representações do AlphaEarth Foundations, resumos compactos de anos de observações de satélite para cada píxel, que o ajudam a captar padrões de plantação, ciclos de crescimento e ritmos de corte.

Quanto à exatidão, os parceiros verificaram o mapa em mais de 9.000 locais escolhidos ao acaso, onde dois especialistas analisaram imagens de alta resolução e o histórico de satélite. O ForTy identificou o tipo de floresta correto em 90% dos casos e separou floresta de não floresta em 95%, superando, segundo a equipa, outros mapas florestais globais. Em vez de um rótulo único, cada píxel tem uma probabilidade por classe, pelo que uma empresa pode aplicar um limiar exigente e um investigador pode usar todo o leque.

A série anual é onde surgem as mudanças ocultas. Quando uma floresta natural é cortada e replantada como plantação, o terreno volta depressa a ficar verde e os mapas comuns podem não detetar a troca. A série temporal do ForTy pretende assinalar essas conversões, bem como a regeneração em terrenos abandonados.

O mapa de 2020, descrito na revista Scientific Data, e a série temporal estão disponíveis gratuitamente no Google Earth Engine com licença aberta. A equipa apresenta a série como uma versão preliminar que continuará a afinar, pelo que os números podem mudar. A exatidão resulta da validação feita pelos próprios autores com os parceiros, e não de uma auditoria externa, e falta saber como os reguladores tratarão um mapa probabilístico de IA no cumprimento do regulamento europeu.

Referências