A Legora, empresa de IA jurídica nascida na Suécia, voltou a captar uma ronda de grande dimensão numa altura em que a disputa pelos orçamentos de software das sociedades de advogados se intensifica. A 21 de outubro de 2026 anunciou uma Série E de 550 milhões de dólares, liderada pela Atreides Management, que a avalia em 8,8 mil milhões após o investimento. Em abril, quando prolongou a Série D, a avaliação era de 5,6 mil milhões. A Reuters, o TechCrunch e o City AM noticiaram a operação no próprio dia.
Entre os novos investidores estão a Baron Capital, o Capital Group, a Fidelity Management & Research, a Glade Brook Capital Partners e o J.P. Morgan. A Legora garante que todos os principais acionistas acompanharam a ronda, incluindo a Accel, a Benchmark, a Bessemer Venture Partners, a General Catalyst, a ICONIQ, a Insight Venture Partners, a Redpoint, a Salesforce Ventures e a Sands Capital. O City AM lembra que a NVentures, braço de capital de risco da NVIDIA, e a Atlassian entraram na ronda anterior, e que em agosto foi noticiado que a Legora procurava uma avaliação próxima dos 10 mil milhões, valor acima do agora alcançado.
O indicador mais destacado é o crescimento. A Legora afirma que as receitas recorrentes anuais ultrapassam os 200 milhões de dólares. Segundo a empresa, bastaram menos de 18 meses para passar de um para cem milhões e menos de seis para somar os cem milhões seguintes, ritmo que, diz, nenhuma outra empresa de software empresarial com vendas diretas igualou. O diretor financeiro, David Eckstein, falou em receitas duradouras, com boas margens brutas e elevada retenção, embora não tenham sido divulgados números sobre margens ou retenção.
A base de clientes também está a mudar. Os departamentos jurídicos internos, que há um ano pesavam pouco, representaram mais de 40% dos novos clientes no terceiro trimestre, segundo a Legora. Os Estados Unidos são já o principal mercado em receitas, e a empresa diz ter como clientes mais de metade do AmLaw 50, as maiores sociedades americanas por faturação, apesar de só ter aberto o primeiro escritório no país na primavera de 2025. Conta mais de 140 mil utilizadores em mais de 2 400 sociedades e equipas internas, em mais de 80 mercados, e mais de mil funcionários em 18 escritórios.
O capital destina-se à expansão na América do Norte, onde a Legora tem escritórios em Nova Iorque, Denver, Chicago, Houston, São Francisco, Toronto e Cidade do México, bem como na Europa e na Ásia-Pacífico. Servirá ainda para desenvolver o Legora aOS, apresentado como um sistema operativo agêntico onde advogados e agentes trabalham lado a lado, com novos produtos para receção de processos, monitorização regulatória e pesquisa jurídica. O presidente executivo e cofundador, Max Junestrand, considera que a IA está a empurrar o advogado para funções de julgamento e aconselhamento.
A ronda acentua a disputa a dois no topo da IA jurídica. O TechCrunch recorda que a Harvey, principal rival, anunciou cerca de um mês antes um financiamento de 550 milhões de dólares com avaliação de 15,5 mil milhões e declarou em março receitas recorrentes acima dos 200 milhões. Ambas vendem agora agentes capazes de executar tarefas jurídicas em várias etapas, e não simples assistentes de conversa, e a dimensão destas rondas sugere que os investidores esperam poucos vencedores entre grandes escritórios e departamentos jurídicos.
Os números de crescimento, clientes e receitas são da própria Legora e não foram auditados de forma independente; a imprensa limitou-se a reproduzi-los. A avaliação resulta de uma ronda privada e a comparação de velocidade com outras empresas de software é uma afirmação da empresa.