Durante anos, a Microsoft só falou do Azure através de taxas de crescimento. Nas contas publicadas a 28 de outubro, relativas ao trimestre terminado a 30 de setembro, o primeiro do ano fiscal de 2027, a empresa deu finalmente um número: o Azure gerou cerca de 33,2 mil milhões de dólares, mais 48% do que um ano antes. Um documento entregue no mesmo dia ao regulador norte-americano juntou outro valor revelador sobre a economia da IA: 10 mil milhões de dólares de receitas provenientes de acordos comerciais com a OpenAI nesses três meses.
Os grandes números foram sólidos. As receitas atingiram 92,3 mil milhões, um aumento de 19%, o resultado operacional subiu 21%, para 45,9 mil milhões, e o lucro líquido avançou 32%, para 36,6 mil milhões, ou 4,92 dólares por ação diluída. O Microsoft Cloud faturou 63,9 mil milhões, mais 30%. Segundo a CNBC, os analistas consultados pela StreetAccount esperavam 32,32 mil milhões para o Azure, cujo crescimento no trimestre de junho tinha sido de 42%. O TechCrunch sublinha que o ritmo de 48% superou o intervalo de 44% a 45% apontado em julho pela diretora financeira, Amy Hood.
A novidade vem acompanhada de uma nova forma de apresentar as contas. A Microsoft passa a usar dois segmentos, em vez dos três que manteve durante onze anos. O Agents and Infra, que junta o Azure à nuvem comercial do Microsoft 365, aos produtos de servidor e a serviços associados, gerou 76,8 mil milhões, mais 25%. O Devices and Consumer, que reúne Windows, equipamentos, Xbox e publicidade na pesquisa, recuou 3%, para 15,5 mil milhões, com as vendas de Windows a fabricantes e de equipamentos a cair 22%. As obrigações de desempenho comerciais por cumprir, ou seja, receita já contratada e ainda por reconhecer, subiram 73%, para 677 mil milhões.
O valor ligado à OpenAI surge na nota sobre partes relacionadas do Form 10-Q. A Microsoft diz deter uma participação de cerca de 24%, numa base convertida, contabilizada pelo método da equivalência patrimonial, e que as receitas de acordos comerciais com a OpenAI, incluindo partilha de receitas, somaram 10 mil milhões no trimestre. Os valores a receber da OpenAI passaram de 6 mil milhões em junho para 7,2 mil milhões no final de setembro, e a Microsoft já desembolsou 12 dos 13 mil milhões de dólares que se comprometeu a investir. O documento não separa os 10 mil milhões entre computação no Azure e partilha de receitas, e o TechCrunch diz ter pedido esse detalhe à empresa.
O investimento continua a subir, embora menos do que Wall Street previa. As despesas de capital, incluindo locações financeiras, chegaram aos 45,2 mil milhões, cerca de 30% acima do ano anterior, contra uma estimativa próxima dos 50,7 mil milhões, segundo a CNBC. Hood explicou aos analistas que algumas entregas de capacidade de terceiros previstas para o trimestre deslizaram para a segunda metade do ano fiscal, e a CNBC refere que perto de três quartos da despesa vão agora para ativos de vida curta, como chips. As ações dos fornecedores de nuvem especializada CoreWeave e Nebius caíram quase 5% depois dos resultados, enquanto os títulos da própria Microsoft ganharam cerca de 4% fora de horas.
As previsões apontam para a continuação da tendência: a Microsoft espera receitas entre 96 e 97,1 mil milhões no segundo trimestre fiscal e um crescimento do Azure de 49% a 50% a câmbios constantes, segundo a CNBC. Nadella disse aos analistas que o número de utilizadores do Microsoft 365 Copilot aumentou 50% face ao trimestre anterior, sem indicar quantas licenças pagas isso representa. O fluxo de caixa livre caiu 27%, para 18,63 mil milhões, à medida que a expansão da infraestrutura prossegue.
Vistos em conjunto, os números mostram quanto do crescimento da Microsoft em IA ainda depende de um único parceiro. A OpenAI pesou quase 11% das receitas trimestrais, mesmo depois de as duas empresas terem afrouxado a exclusividade na nuvem, e esse dinheiro chega em parte da computação e em parte da partilha de receitas, em proporções que a Microsoft não revela. O novo número do Azure permite ainda comparar diretamente a Microsoft com o Google Cloud, a que a Alphabet atribuiu 30,7 mil milhões no mesmo trimestre, e com a Amazon Web Services, que apresenta contas a seguir.