Singapura vai servir de laboratório à Google para a inteligência artificial médica. Na estreia do Google for Health Summit, a 29 de outubro, a empresa confirmou a abertura de um centro da Google Research na cidade-Estado e apresentou vários projetos com dois dos grandes grupos públicos de saúde do país, que vão do apoio à decisão clínica à prevenção e à vigilância de doenças.
A equipa será composta por investigadores e engenheiros de software sediados em Singapura. Segundo a Google, vai dedicar-se a modelos fundacionais que acelerem a descoberta científica; Yossi Matias, responsável pela Google Research, explicou que o centro trabalhará em articulação com as equipas globais e terá como prioridade tornar os modelos de fronteira mais eficientes, relata o The Business Times. Estão previstas parcerias com a National University of Singapore e a Nanyang Technological University para formar talento e financiar investigação, bem como a introdução dos modelos abertos MedGemma nos cuidados de primeira linha, com a garantia de que os dados permanecem sob controlo local.
A vertente mais delicada do ponto de vista clínico junta a Google DeepMind e o National University Health System (NUHS). Os dois vão avaliar o AI co-clinician, uma ferramenta experimental que cruza orientações clínicas e literatura científica para responder às dúvidas dos médicos durante as consultas. De acordo com o The Business Times, o objetivo é medir a exatidão, a segurança e a utilidade das respostas à luz de critérios clínicos estabelecidos. A Google fala numa avaliação e não numa implementação.
O segundo projeto associa a Google Cloud à NHG Health na área da saúde populacional. Os modelos preditivos deverão identificar grupos de residentes com maior risco de doença crónica, e essa informação alimenta um assistente de saúde com IA no NHG HealthBot, assente na plataforma Gemini Enterprise for Customer Experience, que envia conselhos sobre estilo de vida e lembretes de cuidados preventivos. O jornal acrescenta que o modelo cruza registos populacionais anonimizados da NHG com ferramentas geoespaciais da Google e poderá recorrer a dados climáticos e ambientais, a sinais de pesquisa e a comportamentos para antecipar problemas como a fragilidade. Nenhuma das partes explicou como serão geridos esses sinais nem se os residentes poderão recusar.
Há também financiamento para a vigilância em saúde pública. A Google.org e a Google DeepMind entregam 7 milhões de dólares à Health for Human Potential Coalition, da Philanthropy Asia Alliance, dos quais um milhão se destina à PathGen, plataforma que ajuda os países a detetar ameaças sanitárias mais cedo e a partilhar dados sem que estes saiam do território nacional.
Estes anúncios assentam na parceria nacional de IA entre a Google e Singapura anunciada no início do ano, no âmbito da qual os modelos de fronteira da Google deveriam ser aplicados a vários desafios públicos. Ben King, que dirige a Google em Singapura, disse que a ambição é desenvolver a IA para a saúde no país e levá-la depois a outros mercados.
O governo deixou claras as suas condições. Tan Kiat How, ministro de Estado sénior para a saúde e para o desenvolvimento digital e informação, defendeu que a IA clínica tem de passar por testes exigentes antes de chegar aos doentes e ser acompanhada depois, lembrando que um modelo potente, por si só, não torna ninguém mais saudável. Não foram divulgados prazos, números de doentes nem metas de resultados, pelo que a cimeira deixa compromissos e ensaios, ainda sem provas de impacto.