O Cazaquistão pode tornar-se um dos primeiros terrenos de ensaio para robotáxis fora dos Estados Unidos e da China. A Pony.ai anunciou a 23 de outubro um memorando de entendimento com a inDrive, plataforma de transporte conhecida por deixar passageiros e motoristas negociarem o preço, e com a NVIDIA, para perceber se um serviço de viagens sem condutor é viável no país. Astana, a capital, seria a primeira cidade.

A divisão de tarefas é clara. A Pony.ai forneceria os seus robotáxis de sétima geração, a inDrive disponibilizaria as viagens na sua aplicação e geriria a operação, e a NVIDIA entraria com a plataforma de IA. Essa base assenta no NVIDIA Hyperion, um desenho de referência de sensores e computadores para veículos de nível 4, combinado com o software Alpamayo e o sistema de segurança Halos. Ao abrigo do memorando, os parceiros vão analisar a viabilidade técnica, operacional, regulatória e comercial de oferecer estes veículos aos clientes.

O calendário está menos definido do que alguns títulos sugerem. O comunicado da Pony.ai não indica datas e a MarketWatch observou que as empresas não revelaram data de lançamento, investimento nem dimensão da frota. A publicação cazaque Kursiv também referiu que não foi anunciado qualquer prazo e que os parceiros vão primeiro traçar um roteiro. Yuri Misnik, diretor de tecnologia da inDrive, disse ao TechCrunch que os testes deverão arrancar em Astana no primeiro semestre de 2027, inicialmente com um operador de segurança a bordo e com viagens totalmente autónomas como objetivo a prazo. Qualquer lançamento depende ainda de um acordo com o governo cazaque.

A regulação explica a escolha do país. A Pony.ai destacou o primeiro enquadramento jurídico estruturado do Cazaquistão para transporte sem condutor, aprovado no âmbito de uma campanha nacional dedicada à digitalização e à inteligência artificial. O TechCrunch recorda que o país anunciou no mês passado a intenção de ter táxis autónomos a circular em 2027, começando por ensaios em Astana e em mais duas cidades. Os invernos longos e gelados da capital tornam-na também um teste exigente, argumento usado pelo fundador da inDrive, Arsen Tomsky, para quem a cidade pode mostrar como a tecnologia resiste a condições adversas.

O custo é a outra peça. Ali Kani, vice-presidente da NVIDIA para o setor automóvel, explicou ao TechCrunch que uma base pronta de sensores e computação pesa sobretudo nos mercados emergentes, onde as viagens convencionais já são baratas e os robotáxis terão de competir no preço. O anúncio coincidiu com a primeira visita ao Cazaquistão do presidente executivo da NVIDIA, Jensen Huang.

Para a Pony.ai, o acordo soma-se a uma expansão internacional acelerada. Segundo o TechCrunch, a empresa quer ter mais de 3500 robotáxis em mais de 20 cidades até ao fim de 2026, contra 1975 veículos no final de junho, e a Uber anunciou este mês que vai testar carros da Pony.ai em Londres. A inDrive, presente em mais de 1200 cidades de 47 países, assinou em dezembro outro acordo com a saudita AI Driver para explorar viagens autónomas da WeRide em Riade, e o TechCrunch diz não ser claro se esse piloto já começou.

Um memorando de entendimento não obriga a lançar o serviço. Só depois de Astana serão avaliadas outras cidades cazaques e outros mercados da inDrive, e a dimensão da frota, os preços e as metas de segurança continuam por divulgar.

Referências