A TypeSafe AI, a empresa que criou o modelo Jev, angariou 870 milhões de dólares numa ronda de Série A que a avalia em 7,5 mil milhões. A Andreessen Horowitz liderou o financiamento, com a participação da Sequoia Capital, da DCVC, que já era acionista, e de um grupo de business angels cujos nomes não foram revelados. Martin Casado, sócio da a16z, entra para o conselho de administração. A startup anunciou a ronda num texto curto no seu blogue a 9 de outubro, dia em que o TechCrunch e o SiliconANGLE deram a notícia e a a16z publicou a sua própria nota de investimento.
O montante impressiona sobretudo pela juventude do produto. O Jev foi lançado a 15 de setembro, pelo que o dinheiro chegou cerca de três semanas e meia depois. A TypeSafe nasceu em 2024 pelas mãos de Diogo Almeida, antigo investigador da OpenAI e atual presidente executivo, de Sasha Sheng, ex-engenheira de investigação da Meta, e de Erik Gafni, engenheiro e empreendedor.
O Jev distingue-se dos modelos mais mediáticos por não gerar texto. Assenta numa arquitetura transformer, mas não é um modelo de linguagem de grande escala: em vez de escrever frases ou código, devolve probabilidades a que a empresa chama decisões calibradas, pensadas para serem usadas diretamente por programas informáticos. A TypeSafe defende que esta abordagem serve melhor a automação do que os assistentes generalistas, porque os computadores não precisam de linguagem humana para tomar decisões de rotina. A empresa garante que o Jev é muito mais rápido e gasta muito menos tokens do que os modelos de linguagem em tarefas equivalentes, mas estas afirmações ainda não foram confirmadas por testes independentes.
Os números de adoção vêm da própria empresa e do novo investidor principal, e não coincidem por completo. Segundo a TypeSafe, um terço das empresas da Fortune 500 já usa o Jev, que terá poupado milhões de dólares aos clientes em produção. A a16z fala em 25% das empresas da Fortune 500 com o modelo integrado e diz que o Jev atingiu um bilião de tokens gerados nos primeiros três dias, o crescimento mais rápido que a sociedade de capital de risco diz ter visto. A a16z apresenta o Jev como o primeiro de uma classe de modelos "System One", feitos para estarem embutidos em todo o tipo de software a custos próximos da computação tradicional.
O anúncio da TypeSafe diz pouco sobre o destino do dinheiro. Promete mais modelos nativos para máquinas, infraestrutura mais ampla para aquilo a que chama software inteligente e as funcionalidades empresariais que os clientes têm pedido. O SiliconANGLE noticiou que o Jev integra uma família de modelos System One que o financiamento ajudará a alargar.
Para o setor, a ronda é uma aposta de peso em que boa parte do trabalho que as empresas hoje entregam a modelos de linguagem é, na verdade, tomada de decisões que um modelo sem texto pode resolver de forma mais barata. Se a tese se confirmar, a TypeSafe parte à frente numa categoria com poucos concorrentes estabelecidos. Se os modelos generalistas continuarem a baratear nas mesmas tarefas, a vantagem pode encolher depressa.
Ficam várias perguntas por responder. Nem a TypeSafe nem os investidores divulgaram avaliações de desempenho independentes, nomes de clientes ou receitas, e os dois números de adoção divergem. A empresa também não esclareceu se a avaliação é anterior ou posterior ao investimento. Com a ronda a surgir tão perto do lançamento, o valor atribuído assenta muito mais no entusiasmo inicial e na convicção dos investidores do que num historial comercial consolidado.