A Anthropic detalhou a 14 de outubro de 2026 como o Claude vai lidar com as eleições intercalares norte-americanas, juntando novas funcionalidades de informação ao eleitor, conclusões de avaliações externas sobre viés e uma deteção de abusos mais apertada. O texto dá seguimento a uma atualização sobre salvaguardas eleitorais publicada no início do ano e à revisão da Usage Policy divulgada na semana anterior.
Primeiro, a empresa mediu o peso da política na sua aplicação para consumidores. Com a ferramenta Anthropic Insights, analisou uma amostra aleatória de cerca de 250 000 conversas de utilizadores norte-americanos do Claude.ai entre 21 e 27 de setembro de 2026, classificadas de forma que diz preservar a privacidade. Política, políticas públicas e temas sociais surgiram em cerca de 5,75% das conversas; eleições ou voto, em aproximadamente 0,51%. Pedidos para que o Claude indicasse em quem votar ficaram nos 0,01%, e uma segunda amostra de 250 000 conversas revelou pedidos contrários às regras eleitorais em cerca de 0,002%. A Anthropic prevê que a fatia política cresça à medida que o dia da votação se aproxima.
Há duas novidades para os utilizadores do Claude.ai nos EUA. Ainda em outubro, as respostas sobre o local de voto ou o documento de identificação exigido passarão a usar dados oficiais reunidos pela Democracy Works, organização apartidária que recolhe informação junto das autoridades eleitorais estaduais e locais, permitindo respostas adaptadas a cada estado. Na noite eleitoral e nos dias seguintes, o Claude mostrará ainda as contagens oficiais atualizadas. Mantém-se o aviso que remete para o serviço TurboVote, da mesma Democracy Works.
Quanto ao viés, a Anthropic garante que os modelos Claude Opus 5.5, Sonnet 5.5 e Haiku 5.5 atingem 99% na sua avaliação interna de equilíbrio político e recusam menos pedidos sobre política do que as versões anteriores. Encomendou também três análises externas. A Future of Free Speech, centro de estudos ligado à Universidade Vanderbilt, testou centenas de pedidos sobre temas fraturantes; a Foundation for American Innovation comparou respostas a pedidos espelhados, de esquerda e de direita; e o Collective Intelligence Project construiu uma avaliação a partir de princípios sugeridos por mais de 2000 pessoas nos EUA, no Reino Unido e na Índia. Segundo a empresa, a maioria das respostas foi bem classificada, mas os avaliadores apontaram ressalvas e contra-argumentos não solicitados, e a Foundation for American Innovation concluiu que o Claude Sonnet 4.5 tendia a suavizar argumentos de posições à direita. A Anthropic diz estar a corrigir respostas curtas e de sim ou não, bem como a forma de acrescentar ressalvas.
A conclusão mais concreta veio dos testes de intrusão feitos pelo Institute for Strategic Dialogue e pelo McCain Institute nos EUA, em Israel e no Brasil. O Claude recusava sistematicamente um pedido claramente nocivo, mas podia deixar passar uma campanha enganosa quando esta era dividida em pequenas tarefas: estudar públicos, montar um site noticioso, redigir publicações e planear a difusão. Em resposta, a Anthropic introduziu classificadores para abusos novos e em várias etapas, incluindo perfis falsos em redes sociais, falsos meios de comunicação e esquemas eleitorais com fins lucrativos, reforçou a deteção de atores estatais estrangeiros e a proteção informática de campanhas e infraestruturas eleitorais.
O texto dá exemplos de sanções. Operadores sediados no estrangeiro usaram o Claude para produzir, num site de notícias falsas, cobertura das intercalares favorável a narrativas russas, iranianas e norte-coreanas; outros fabricaram notícias para atrair leitores norte-americanos e receitas de publicidade. As contas foram banidas nos dois casos. A empresa publicou ainda um guia para campanhas que distingue usos permitidos, como redigir comunicados ou analisar dados de participação, de usos proibidos, como perfis falsos ou interações infladas artificialmente.
A maioria dos números, incluindo as percentagens de utilização e os 99% de equilíbrio, resulta de medições da própria Anthropic, e as conclusões dos avaliadores externos chegam através do resumo da empresa, não de relatórios completos. A Anthropic promete um balanço mais amplo do uso do Claude durante a campanha nos próximos meses.