A Apple já tem data para levar o Apple Intelligence à China continental. Num comunicado publicado no seu portal de imprensa chinês, com data de 31 de outubro no fuso local, a empresa indica que um primeiro conjunto de funcionalidades poderá ser testado a partir de 4 de novembro na mais recente beta do iOS para programadores, estando o lançamento público previsto para dezembro, juntamente com o iOS 27.3. O MacRumors deu pelo comunicado a 30 de outubro e a notícia foi depois retomada pelo The Verge e pelo 9to5Mac. Estas ferramentas estavam ausentes da China desde a sua estreia no iOS 18.1.
O pacote corresponde à geração anterior do Apple Intelligence e não às ferramentas mais recentes. A lista inclui a Live Translation nas apps Mensagens, FaceTime e Telefone, bem como tradução de conversas presenciais com AirPods compatíveis. As Writing Tools reescrevem, revêem e resumem texto. A Visual Intelligence reconhece objetos e locais através da câmara, o Clean Up apaga elementos indesejados das fotografias e o Genmoji gera emojis personalizados a partir de uma descrição escrita. A app Fotografias passa a aceitar pesquisa em linguagem natural e a montar filmes de memórias a partir de um pedido, enquanto o Mail ganha mensagens prioritárias, resumos e Smart Reply.
Completam a lista várias funções de sistema: resumos de notificações no ecrã bloqueado, Priority Notifications, o modo de foco Reduzir interrupções, resumos de transcrições de áudio nas Notas e resumos de transcrições de chamadas. A Siri recebe o Type to Siri, percebe melhor um pedido mesmo quando o utilizador se atrapalha a falar e mantém o contexto entre perguntas sucessivas. Segundo a Apple, tudo isto assenta em modelos generativos desenvolvidos pela própria empresa.
Na China, é a Alibaba que ocupa o lugar que o ChatGPT tem noutros países. A Apple diz ter trabalhado com a Alibaba para integrar o Qwen na Siri, nas Writing Tools e na Visual Intelligence, com compreensão de texto e de imagem. A Siri pode encaminhar certos pedidos para o Qwen, o utilizador pode fazer perguntas sobre fotografias e documentos como PDF e apresentações, e uma opção de composição nas Writing Tools permite ao Qwen redigir conteúdo de raiz. O acesso faz-se com uma conta Qwen ou através do Sign in with Apple. O The Verge observa que o modelo lembra a integração do ChatGPT lançada pela Apple em 2024.
As limitações pesam. A Apple esclarece que a atualização não inclui a Siri AI nem as restantes funcionalidades de nova geração apresentadas na WWDC 2026, e o MacRumors acrescenta que o Image Playground também ficará de fora. Numa primeira fase, só o iPhone é abrangido: iPhone 15 Pro e 15 Pro Max, a gama iPhone 16 e modelos posteriores, iPhone Air e iPhone Duo, com o idioma do aparelho e da Siri definido em inglês ou chinês simplificado. Mac, iPad e outras plataformas só chegarão depois de obtidas as aprovações necessárias, refere a empresa.
O anúncio põe fim a uma longa espera regulatória. As regras chinesas limitam serviços estrangeiros de inteligência artificial, o que levou a Apple a procurar parceiros locais. O The Verge recorda que o Apple Intelligence foi aprovado na China em julho, e o MacRumors resumiu relatos de outubro da Bloomberg sobre o calendário do iOS 27.3 e do South China Morning Post sobre licenças de acesso à rede para os modelos Qwen e Tongyi Wanxiang da Alibaba em iPhones recentes. Ainda segundo o MacRumors, este enquadramento obriga a Apple a deixar as autoridades chinesas aprovar as atualizações futuras dos modelos.
Há pormenores por esclarecer. O 9to5Mac sublinha que a Apple confirmou 4 de novembro como início dos testes do Apple Intelligence na China, o que não significa forçosamente a saída da primeira beta do iOS 27.3, e o MacRumors prevê que, devido à diferença horária, a data corresponda a 3 de novembro nos Estados Unidos. Falta ainda um dia concreto para a versão de dezembro, e a Apple não disse quando a Siri AI poderá chegar aos utilizadores chineses nem como são tratados, em termos de privacidade, os pedidos enviados ao Qwen.