A Canva lançou o seu segundo modelo de IA desenvolvido internamente em apenas oito dias, e este dirige-se à parte do trabalho de design que costuma consumir mais tempo: mexer no que já existe. A 29 de outubro, a empresa revelou o Canva Brush, um modelo de visão e linguagem criado pela Canva Research que interpreta a composição, as camadas e o estilo visual de um design e aplica as alterações pedidas, desde reformular uma única linha de texto até atualizar todos os diapositivos de uma apresentação.

O Brush surge depois do Canva Craft, o modelo de geração de imagens que a empresa apresentou na semana anterior. A Canva descreve os dois como complementares: o Craft cria as imagens e o Brush trabalha o design à volta delas. Ambos saem da Canva Research, que a empresa define como um laboratório de IA com 160 pessoas. A Capital Brief e a The AI Economy, que noticiaram o lançamento de forma independente, apresentaram o Brush como sucessor direto do Craft e citaram os mesmos números divulgados pela empresa.

O modelo não faz a edição de uma só vez. Segundo a Canva, o Brush trabalha num ciclo agêntico: escreve e executa código que ajusta elementos concretos do design, observa a página resultante e usa essa leitura para decidir o passo seguinte. O resultado continua totalmente editável no editor da Canva, pelo que textos, imagens, cores e paginação podem ser mudados à mão. O exemplo dado pela própria empresa é uma apresentação de três páginas para uma pastelaria em estilo Arte Nova, um pedido que obriga a planear a narrativa entre páginas sem perder a coerência da tipografia, das cores e dos espaçamentos.

Quanto ao treino, a Canva admite que não partiu do zero. Usou como base um modelo de pesos abertos de topo, cujo nome não revela, aperfeiçoou-o com tarefas reais de design e edição, recorrendo à experiência interna e a dados anonimizados de utilizadores que aceitaram contribuir para melhorar a Canva AI, e aplicou depois aprendizagem por reforço em larga escala. O sistema de recompensa avalia a qualidade visual, o respeito pelas regras de composição e o cumprimento da tarefa pedida. De acordo com a empresa, baseia-se na biblioteca de designs da Canva, no comportamento de edição dos utilizadores, em centenas de milhares de interações simuladas e em critérios definidos pelos designers profissionais da casa.

Os números em destaque falam de custo e rapidez, não de testes comparativos. A Canva afirma que o Brush é até 69% mais rápido nas tarefas gerais de edição e 46% mais barato por edição do que o seu anterior agente de design e que, nos testes internos, igualou ou superou a solução antiga na maioria dos casos, com melhores resultados a mudar o estilo de designs e a adaptá-los a novos formatos. A empresa relaciona essa eficiência com a escala: com centenas de milhões de pessoas a criar milhares de milhões de designs, pequenas poupanças por tarefa acumulam-se. A The AI Economy lembrou que a Canva abrandou a introdução de IA no início do ano porque as contas ainda não batiam certo, o que torna o custo o centro deste lançamento.

O Brush já está disponível para as edições suportadas na Canva AI nos planos Canva Pro, onde é escolhido no menu de modelos, e a empresa promete alargar o acesso, sem data. A The AI Economy classificou a versão como beta. A Canva identifica três lacunas em que já está a trabalhar: suporte para o Brand Kit, possibilidade de usar anexos como referência e melhor tratamento de composições com muitas imagens.

A aposta coloca a Canva num caminho ligeiramente diferente do da Adobe. A The AI Economy notou que o Firefly Image 5 da Adobe trouxe no ano passado edição por camadas e por instruções em imagens isoladas e que a Adobe também disponibiliza modelos de terceiros, enquanto o Brush atua sobre designs completos de várias páginas. A Canva, que também recorre a modelos de parceiros, acredita que modelos especializados treinados em casa darão melhores resultados a menor custo. Nenhum dos valores de rapidez, custo ou qualidade foi verificado de forma independente, e a Canva não documentou qualquer API pública ou identificador de modelo para o Brush.

Referências