Uma startup de robótica que privilegia a perceção de força em vez da aprendizagem centrada em câmaras passou a valer mais de mil milhões. A Eka Robotics concluiu uma ronda Série A de 150 milhões de dólares que a avalia em 1,45 mil milhões após a entrada do dinheiro, noticiou o TechCrunch na terça-feira, 20 de outubro de 2026. A Andreessen Horowitz e a F-Prime lideraram a operação, e a a16z publicou no mesmo dia uma nota em que confirma ter liderado a ronda.

A empresa foi fundada por Pulkit Agrawal, professor do MIT que dirige o Improbable AI Lab no CSAIL, e por Tuomas Haarnoja, antigo investigador da Google DeepMind e coautor do algoritmo de aprendizagem por reforço Soft Actor-Critic. O seu produto central é aquilo a que chama um modelo visão-força-ação (VFA). Em vez de ligar sobretudo linguagem, imagem e comandos motores, como fazem muitos modelos atuais, o da Eka apoia-se nas forças que a mão robótica sente no contacto e usa a visão sobretudo para localizar os objetos.

Modelo, sensores, controlador e mão são desenhados em conjunto, para que uma pega que começa a escorregar possa ser corrigida ou para que a resistência durante um encaixe altere o movimento em vez de gerar um erro. Em lugar de aprender com horas de demonstrações humanas, a Eka treina os seus controladores por aprendizagem por reforço num simulador de física, onde robôs virtuais ensaiam enormes quantidades de variações e falhas. Os fundadores disseram ao TechCrunch que conseguem gerar milhares de horas de experiência robótica em minutos, mas revelaram poucos pormenores.

Os números de desempenho vêm da própria empresa e dos investidores. A a16z refere até 1500 recolhas por hora em tarefas laboratoriais de recolha em contentor, cerca de duas vezes e meia o ritmo humano, e o TechCrunch cita uma fiabilidade superior a 95% para objetos até 1 kg. Kris Hauser, professor da Universidade do Illinois que assistiu a uma demonstração, contou ao TechCrunch que o robô se adaptou a muitos objetos sem novo treino. Agrawal diz que a pinça custa menos de 1000 dólares e aguenta 5 milhões de ciclos, abaixo dos cerca de 20 milhões exigidos aos braços industriais comuns.

O financiamento chega numa altura de forte entusiasmo dos investidores pela chamada IA física. A Eka começa por duas aplicações industriais, recolha e colocação de peças e manuseamento de cabos, e mantém pilotos não divulgados com clientes. A a16z vê a oportunidade em tornar a destreza manual uma capacidade geral, para que as fábricas não precisem de um projeto de engenharia por cada novo objeto ou material.

Persistem dúvidas importantes. Todos os resultados conhecidos vêm de laboratórios e demonstrações, não de linhas de produção. Hauser avisa que o verdadeiro teste será funcionar sem falhas durante um ano em linhas de montagem reais, e que ainda não se sabe até onde a abordagem se generaliza para lá da recolha de peças. A Eka não publicou comunicado próprio nem artigo técnico, e os restantes investidores não foram identificados.

Referências