A Google quer muito mais serviços de terceiros dentro do seu assistente de IA e do seu motor de pesquisa, e passou a aceitar candidaturas de quem os queira lá colocar. A 28 de outubro, a empresa abriu a pré-visualização da Connected Apps Platform, um espaço único onde programadores externos podem criar, testar, submeter e acompanhar aplicações acessíveis pela aplicação Gemini, pela Pesquisa Google ou por ambas. O anúncio é assinado por Chips Mistry e Mai Lowe, gestores de produto responsáveis pela Pesquisa e pela aplicação Gemini.

As aplicações ligadas não são novidade. A Google estreou-as no início do ano para que os utilizadores associassem serviços externos e pedissem ao Gemini ou à Pesquisa que agissem por eles, por exemplo a montar uma lista de reprodução no YouTube Music ou um cartaz no Canva. Até agora, era a própria Google a escolher quem entrava. A plataforma transforma esse catálogo em algo parecido com uma loja aberta a qualquer programador que cumpra os requisitos.

O caminho técnico passa pelo Model Context Protocol. O programador disponibiliza um servidor MCP alojado na nuvem ou, no Android, recorre ao Android MCP com as AppFunctions APIs. Depois, regista a aplicação, testa-a e envia-a para revisão numa ferramenta chamada Google Connected Console, onde também decide se deve surgir na Pesquisa, no Gemini ou nos dois. Após o lançamento, a consola mostra tráfego, latência e taxas de erro, e deixa o editor controlar elementos de marca como logótipos verificados e contas autenticadas.

Por agora, o acesso é restrito. Segundo o TechCrunch, a pré-visualização está aberta a programadores nos Estados Unidos que se inscrevam numa lista de espera, e a Google não indicou quando será alargada. Na sua publicação, a empresa diz que está a admitir programadores por fases e que acrescentará mais mercados e mais produtos Google nos próximos meses, com documentação disponível no seu portal para programadores.

Em paralelo, a Google alarga o catálogo que já gere. Contabiliza mais de 50 aplicações ligadas entre a Pesquisa e o Gemini, em áreas que vão da produtividade e venda de bilhetes à saúde e ao exercício físico. As integrações da Adobe, Experian, Localiza e Peloton já funcionam no Gemini e devem chegar à Pesquisa dentro de semanas, o que pesa porque a Pesquisa tem hoje uma oferta mais curta, com nomes como Instacart, Canva, YouTube Music e Yahoo Fantasy Football. A aplicação de meditação Calm é parceira nova e estreia-se nas duas superfícies.

O TechCrunch enquadra a decisão numa disputa mais ampla entre assistentes de IA. O ChatGPT, da OpenAI, e o Muse, da Meta, têm as suas próprias integrações, e cada empresa aposta que as pessoas vão usar cada vez mais serviços através de um assistente em vez de abrirem aplicações separadas. Nesse cenário, estar disponível no Gemini ou na Pesquisa pode tornar-se tão importante para uma empresa como foi aparecer bem nos resultados de pesquisa, comparação que o TechCrunch faz com o SEO.

Para quem desenvolve, a escolha do MCP como camada de integração é o pormenor mais prático. Equipas que já criaram um servidor MCP para outros assistentes poderão reaproveitar grande parte desse trabalho, sem escrever um conector exclusivo para a Google. Falta a empresa explicar como serão revistas e ordenadas as aplicações, que condições comerciais se aplicam e quando a plataforma deixará de estar limitada aos EUA.

Referências