A NVIDIA está a investir para desbloquear as etapas da cadeia de abastecimento que rodeiam o próprio GPU. Na GTC Berlin, a 21 de outubro, a empresa anunciou acordos de capacidade com seis parceiros industriais (Amkor Technology, IBIDEN, King Yuan Electronics, ou KYEC, Samsung Electro-Mechanics, Siliconware Precision Industries, ou SPIL, e Unimicron), que abrangem substratos de encapsulamento, encapsulamento avançado, testes de chips e os motores óticos usados na ótica co-encapsulada. "A procura é extraordinária. A capacidade é o limite", afirmou o presidente executivo, Jensen Huang, no comunicado.

Os substratos são a fatia principal. A NVIDIA pretende multiplicar por 2,5 a capacidade de substratos destinada aos seus produtos nos próximos três anos, com contributos dos acordos com a IBIDEN, a Samsung Electro-Mechanics e a Unimicron, e outros entendimentos em preparação. A IBIDEN, ao abrigo de um acordo divulgado no início do ano, recebe um adiantamento de vários milhares de milhões de dólares para reserva de capacidade na fábrica de Ono, no Japão, que deverá triplicar a produção atual, com a nova capacidade a arrancar no primeiro trimestre de 2028. A expansão da Unimicron em substratos KF, em Taiwan, apoiada por um acordo de reserva, deverá começar a acrescentar capacidade no segundo trimestre de 2027 e atingir o pleno em meados de 2028.

A Samsung Electro-Mechanics é a estreante do grupo. No seu próprio comunicado, a empresa sul-coreana descreve uma parceria estratégica em que as duas partes vão investir em conjunto em linhas dedicadas de substratos ABF nas unidades de Sejong e Busan. O fornecimento arranca em 2026 a partir das operações já existentes na Coreia do Sul e inclui substratos para os chips de computação da NVIDIA e para os comutadores de rede de alta velocidade instalados nos centros de dados. A fabricante prevê volumes a crescer a dois dígitos por ano, e ambas indicam que, em 2028, a quota reservada à NVIDIA representará uma parte significativa da sua capacidade anual de substratos.

Nenhuma das empresas divulgou os termos financeiros. O Maeil Business Newspaper noticiou a 22 de outubro, com base em fontes do setor, que a NVIDIA vai contribuir com cerca de 2,6 biliões de wons e a Tesla com perto de 1,1 biliões para a expansão de FC-BGA da Samsung Electro-Mechanics, o equivalente a uns 2,8 mil milhões de dólares segundo a Reuters, que replicou a notícia. De acordo com o jornal, o dinheiro da Tesla está ligado a um contrato de fornecimento de cinco anos, entre 2029 e 2033, para chips dos seus automóveis autónomos e do robô humanoide Optimus. Em setembro, a Samsung Electro-Mechanics tinha anunciado um investimento de 4,27 biliões de wons em Sejong, até maio de 2028, apoiado em parte por financiamento de clientes internacionais.

Os restantes acordos visam fases posteriores da produção. A Amkor e a NVIDIA querem aumentar em mais de 300% a capacidade de bolachas de interposer na Coreia do Sul até ao final de 2028. A NVIDIA concede à KYEC um adiantamento de 1,1 mil milhões de dólares para novas instalações de testes nos Estados Unidos, com produção em grande volume prevista para abril de 2027, e espera duplicar a capacidade total de testes entre 2026 e 2027, nos Estados Unidos, em Taiwan e em Singapura. A SPIL ambiciona multiplicar por 15 a produção de motores óticos em Taiwan até meados de 2027 e voltar a duplicá-la até ao fim de 2028.

O padrão merece atenção. Em vez de se limitar a fazer encomendas, a NVIDIA paga adiantado ou coinveste para garantir capacidade em fornecedores no Japão, na Coreia do Sul, em Taiwan e nos Estados Unidos. Os substratos topo de gama saem de um punhado de fábricas: o Maeil Business cita estimativas do setor segundo as quais só a IBIDEN detém mais de 70% do mercado, o que ajuda a perceber o interesse da NVIDIA num terceiro grande fornecedor.

A maior parte da nova capacidade só chega em 2027 e 2028, pelo que pouco resolve a escassez atual, e os calendários são projeções das empresas, dependentes de obras e da instalação de equipamentos. Os valores em wons e o contrato com a Tesla assentam nas fontes de um único jornal e não foram confirmados pelas empresas.

Referências