A OpenAI prepara mais uma ronda de financiamento privado de dimensão gigantesca, de acordo com duas notícias independentes publicadas a 22 de outubro. A CNBC, citando pessoas a par do negócio, escreveu que a criadora do ChatGPT está a angariar até 30 mil milhões de dólares com uma avaliação de 1,25 biliões antes da entrada do dinheiro. A Bloomberg, também com base em fontes anónimas envolvidas nas conversas, avançou o mesmo valor para uma ronda de cerca de 30 mil milhões e disse que as negociações estão na fase final. A OpenAI recusou comentar a ambos os meios.
Os relatos divergem ligeiramente quanto a quem lidera. Para a CNBC, investidores dos Emirados Árabes Unidos estão à frente da operação, ao lado do fundo Coatue. A Bloomberg descreve a Coatue como estando em conversações para colíder e refere que vários fundos de investimento dos Emirados, bem como a BlackRock, também participam nas discussões. No início do mês, a Bloomberg tinha apontado a MGX, de Abu Dhabi, entre os investidores do Golfo que ponderavam aplicar em conjunto até 10 mil milhões de dólares.
A avaliação mexeu durante as negociações. Segundo a Bloomberg, o valor em cima da mesa desceu 150 mil milhões face aos 1,4 biliões que a agência noticiara no princípio de outubro. A revisão acontece numa semana difícil para as tecnológicas em bolsa, penalizadas depois de resultados trimestrais mistos da Meta e da Tesla terem reacendido dúvidas sobre o volume de investimento em IA. Ambos os meios sublinham que as condições ainda podem mudar. A CNBC diz que a OpenAI informou os investidores, na quinta-feira, de que conta ter assinaturas até ao fim da próxima semana e que o montante final continua por definir.
A CNBC apresenta o capital como uma ponte oportunista antes de uma eventual oferta pública inicial, e não como alternativa a ela. A OpenAI entregou em junho, de forma confidencial, a documentação à Securities and Exchange Commission norte-americana. A diretora financeira, Sarah Friar, disse aos trabalhadores em agosto que a empresa estará cotada em 2027, enquanto o presidente executivo, Sam Altman, afirmou em setembro que avançar naquele momento seria imprudente. Uma fonte disse ainda à CNBC que a OpenAI negoceia, em paralelo, um acordo comercial para garantir mais capacidade de computação nos Emirados.
A escala dos números mostra o apetite de capital da IA de fronteira. A ronda anterior, fechada em março, rendeu 122 mil milhões de dólares com uma avaliação de 852 mil milhões já incluindo o dinheiro novo. Em fevereiro, a empresa disse aos investidores que prevê gastar cerca de 600 mil milhões em computação até 2030, segundo a CNBC. Se o negócio se concretizar acima de um bilião, como observou o TechCrunch, a OpenAI passará a deter a avaliação mais alta alguma vez registada por uma empresa privada.
O calendário convida também à comparação com a Anthropic, a principal rival, que submeteu confidencialmente o seu pedido de dispersão em bolsa em junho. A CNBC noticia que a Anthropic procura uma avaliação entre 1,5 e 2 biliões de dólares nessa operação, depois de ter angariado 65 mil milhões com uma avaliação de 965 mil milhões em maio, e a Bloomberg indica que a estreia é esperada em novembro.
Por agora, a notícia assenta em fontes anónimas de duas redações independentes e não numa declaração da OpenAI ou dos investidores citados. A Coatue não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Bloomberg. Até ao anúncio de termos assinados, o montante final, os investidores líderes e um eventual acordo de computação com os Emirados devem ser tratados como informação noticiada, mas não confirmada.