A divisão de computação na nuvem da Amazon cresce como não acontecia há quase cinco anos, e a empresa está a pagar caro para manter esse ritmo. Nas contas divulgadas a 29 de outubro, referentes ao trimestre terminado a 30 de setembro, a Amazon indicou que a Amazon Web Services faturou 46 mil milhões de dólares, mais 39% do que um ano antes, enquanto o custo de construir centros de dados para IA empurrou o fluxo de caixa livre acumulado para valores fortemente negativos.
As vendas do grupo subiram 12%, para 201,9 mil milhões. A Amazon lembrou que o Prime Day passou este ano para o segundo trimestre na maioria dos grandes países e calcula que, sem essa mudança, o crescimento teria sido cerca de quatro pontos percentuais superior. O resultado operacional saltou de 17,4 para 28,1 mil milhões, uma margem recorde de 13,9%. O lucro líquido recuou para 20,7 mil milhões, ou 1,89 dólares por ação diluída, porque o mesmo período de 2025 incluía 9,5 mil milhões de ganhos antes de impostos com a participação na Anthropic. Segundo a CNBC, tanto as receitas como os lucros ficaram aquém das previsões dos analistas.
A AWS foi o ponto alto. O resultado operacional da unidade chegou a 17,8 mil milhões, contra 11,4 mil milhões, e a Amazon estima o seu ritmo anual de receitas em 184 mil milhões. Na conferência com analistas, o presidente executivo, Andy Jassy, afirmou que o crescimento acelerou pelo sexto trimestre seguido e que a carteira de contratos da AWS ascende a 578 mil milhões, mais do dobro do registado um ano antes. Disse também que a inferência já representa bem mais de metade das receitas de IA da AWS, e a Amazon revelou que os clientes da Fortune 500 gastam quase sete vezes mais no Bedrock, o seu serviço de modelos, do que há um ano, com o volume de tokens a multiplicar-se quase por 17.
O reverso é uma expansão sem precedentes. A CNBC apurou despesas de capital de 77,3 mil milhões no trimestre, face a 35,1 mil milhões um ano antes e a uma estimativa dos analistas de 58,7 mil milhões. A Amazon manteve a previsão de cerca de 220 mil milhões de investimento em dinheiro para 2026, a maior parte destinada à AWS, e Jassy avisou que em 2027 o valor será bastante maior. Nos últimos doze meses, as compras de imóveis e equipamento aumentaram 94,8 mil milhões, sobretudo por causa da IA, e o fluxo de caixa livre passou a uma saída de 42,4 mil milhões, quando um ano antes registava uma entrada de 14,8 mil milhões.
Os chips próprios estão a tornar-se um negócio autónomo. De acordo com a CNBC, Jassy disse que as receitas de semicondutores da Amazon crescem a três dígitos e confirmou que os aceleradores Trainium começarão a ser vendidos a clientes externos no final de 2027. Na mesma conferência acrescentou que a maior parte do tráfego do Bedrock já corre em Trainium, o que apresentou como uma vantagem de margem sobre concorrentes dependentes do mesmo hardware de terceiros.
Jassy prevê que a AWS continue a crescer acima de 40% em 2027 e em 2028 e que chegue a um bilião de dólares de receitas anuais dentro de cinco a dez anos. Os investidores mostraram-se menos convencidos no imediato: o TechCrunch e a CNBC relataram uma queda de cerca de 6% das ações fora do horário normal. Para o quarto trimestre, a Amazon aponta para vendas entre 240 e 247 mil milhões, com um ponto médio abaixo do esperado segundo a CNBC, e um resultado operacional entre 28,5 e 33,5 mil milhões.
Estes números fecham uma semana de resultados dos gigantes da nuvem com uma mensagem coerente. A CNBC observou que a Microsoft reduziu a sua previsão de investimento anual para 170 mil milhões e que a Alphabet manteve o intervalo entre 195 e 205 mil milhões, ao passo que a Amazon sinaliza que os seus gastos vão continuar a subir. A par das contas, a empresa enumerou lançamentos recentes, como a pré-visualização do Bedrock Managed Agents, assente em tecnologia da OpenAI, a disponibilidade geral do serviço de segurança AWS Continuum e a compra da DuckLabs, criadora do DuckDB.