A Meta comprou a Conductor, uma pequena empresa de programação assistida por IA cujo produto deixa os engenheiros pôr vários agentes a trabalhar ao mesmo tempo e depois rever e juntar o que cada um produz. A Axios foi a primeira a noticiar o negócio, a 4 de novembro de 2026, com base em fontes próximas. A Conductor confirmou-o no mesmo dia numa publicação no seu site, e a Meta confirmou a compra ao TechCrunch, sem acrescentar pormenores. Os valores não foram revelados.
A empresa foi fundada em 2024 pelo presidente executivo Charlie Holtz e pelo diretor de tecnologia Jackson de Campos e lançou a aplicação em julho de 2025. A ferramenta principal é uma aplicação para Mac que dá a cada agente uma cópia isolada do código, para que vários agentes possam tratar de partes diferentes de um projeto sem interferirem uns com os outros. Uma versão alojada, a Conductor Cloud, corria agentes em máquinas virtuais isoladas durante sessões longas e permitia acompanhá-los numa aplicação para iPhone. Os agentes não eram da Conductor: a aplicação coordena ferramentas de outros laboratórios, como o Claude Code da Anthropic e o Codex da OpenAI, pagas pelos utilizadores com as suas próprias subscrições.
Segundo o SiliconANGLE, a Conductor angariou 22 milhões de dólares numa ronda de série A em março, liderada pela Spark Capital e pela Matrix, com a Y Combinator entre os investidores, e indicou a Meta, a Google e o Spotify como empresas com dezenas de engenheiros a usar o produto. A startup diz ter mais de 100 mil utilizadores, número que não foi confirmado de forma independente.
Holtz escreveu no X que a equipa vai trabalhar com Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, e com Nat Friedman, responsável de produto dos Meta Superintelligence Labs. As fontes da Axios afirmam que a Meta conta com a rapidez da equipa a lançar produtos para construir a próxima geração das suas ferramentas de programação. A Meta lançou em agosto o seu próprio agente de programação, o Muse Code.
Para quem já usa a Conductor, o encerramento tem calendário. Desde 4 de novembro, a empresa deixou de aceitar novos registos e descargas, e os assinantes Pro mantêm as funções pagas sem custo. A Conductor Cloud passa a modo só de leitura a 13 de novembro, com reembolso para as assinaturas ativas, e a 20 de novembro começam a ser apagados os dados na nuvem, pelo que os utilizadores devem exportar ou transferir os espaços de trabalho para os seus computadores antes dessa data. A aplicação local continuará a receber novos modelos e correções críticas até ao início de 2027, altura em que começa a ser descontinuada. Holtz promete algo novo para o início do próximo ano.
A compra insere-se num movimento mais amplo das grandes empresas de IA para controlar as ferramentas que os programadores usam em torno dos seus modelos. Foi anunciada no mesmo dia em que a OpenAI revelou a intenção de comprar a Pierre Computer, especializada em armazenamento de código, para o Codex. Para os programadores, a dúvida prática é quanto da abordagem neutra da Conductor, que trata agentes rivais como trabalhadores intercambiáveis, sobreviverá dentro de uma empresa com um agente próprio para promover.