O laboratório de investigação em biologia da Anthropic anunciou a 4 de novembro de 2026 que determinou a primeira estrutura tridimensional de uma partícula vault proveniente do mundo procariota, o domínio das bactérias, das arqueias e dos vírus que as infetam. As vaults são enormes barris ocos de proteína presentes na maioria das células complexas, incluindo as humanas. Foram descobertas em 1986 e a sua função continua desconhecida. A empresa apresenta o trabalho como um teste ao quanto o Claude pode acelerar a biologia fundamental e submeteu um artigo prévio ao bioRxiv.

Já tinham sido identificados parentes da proteína vault em genomas de bactérias e de fagos, mas ninguém tinha mostrado que formam de facto estas estruturas. Com o Claude Science, a equipa vasculhou uma base de cerca de 15 mil milhões de proteínas previstas e encontrou esses parentes em 29 filos de bactérias e quatro de arqueias, embora em menos de 1% das espécies com genoma sequenciado. Os investigadores escolheram 44 candidatas; o Claude converteu cada sequência em ADN adaptado à célula hospedeira e preparou as construções. Quinze de 24 deram proteína solúvel em E. coli, sete formaram partículas semelhantes a vaults ao microscópio e a criomicroscopia confirmou a forma em quatro.

A estrutura resolvida vem de uma proteína de fago que a equipa batizou L05. A partícula tem 96 cópias dessa proteína, contra 78 nas vaults de mamíferos, e pesa cerca de 9,5 megadaltons. É mais curta e mais larga do que a humana, com cerca de 54 por 45 nanómetros, mas encerra perto de 25% mais volume. As extremidades estreitam em três degraus, como uma cúpula escalonada. Quando os investigadores duplicaram dois segmentos da parede da proteína, a partícula ganhou cerca de um quinto de volume, o que, sugerem, mostra como as vaults podem ter mudado de tamanho ao longo da evolução e como poderiam servir de nanocápsulas para transportar enzimas.

Segundo a Anthropic, o Claude mudou o ritmo do trabalho. Um método de purificação que costuma levar uns três dias ficou reduzido a cerca de 90 minutos depois de o modelo recomendar cromatografia de exclusão por tamanho aplicada diretamente ao extrato celular, abordagem contra a qual tinha começado por se pronunciar. Num sistema interno com vários agentes e centenas de GPU, o Claude executou o software de processamento das imagens e entregou um primeiro modelo estrutural em 34 horas, trabalho que a equipa calcula demorar normalmente semanas. O modelo assinalou ainda uma pequena molécula por identificar, alojada numa cavidade de cada cópia da proteína e parecida com a coenzima A, uma possível pista sobre a função.

O texto não esconde os erros. Um protocolo escrito pelo Claude incluía um aditivo que impede a entrada de ADN nas células e custou duas semanas, e o processamento inicial gerou um mapa defeituoso misturado com a sua imagem espelhada até os investigadores pedirem ao modelo que seguisse os passos habituais. Leonard Rome, um dos descobridores das vaults e consultor do projeto, considera que a função continua a ser um problema difícil.

Os resultados ainda não foram revistos por pares, a ligação para o artigo prévio não estava ativa na data da publicação e as vaults só foram produzidas em E. coli, não nos organismos onde surgem naturalmente. A Anthropic diz que vai divulgar em breve as estruturas e mais dados.

Referências