O Google Cloud quer que um agente de programação consiga criar uma base de dados verdadeira com a mesma facilidade com que cria um ficheiro. A 4 de novembro de 2026, a empresa anunciou a pré-visualização do AlloyDB Express, uma nova edição do serviço AlloyDB for PostgreSQL pensada para programadores e agentes de IA que precisam de bases de dados efémeras para testes, protótipos e aplicações internas.

A proposta assenta na rapidez e no custo nulo em repouso. A Google garante que uma base AlloyDB Express fica pronta em menos de dois segundos e pode ser criada através da CLI gcloud, da API REST, de MCP, de Terraform ou da consola. Ao fim de 15 minutos sem atividade, pausa sozinha e deixa de cobrar computação, voltando a acordar em segundos quando chega a consulta seguinte. Cada instância é pequena, com um a dois vCPU e 20GB de armazenamento, de acordo com a visão geral do Agentic Data Cloud.

Os preços acompanham esse padrão de uso. A computação ativa custa 0,115 dólares por hora de unidade de computação, faturada ao segundo; em pausa não se paga nada; e o armazenamento custa 0,30 dólares por GB e por mês, apenas pelo espaço efetivamente ocupado. Há ainda um nível gratuito de 50 unidades de computação por mês. Quando um protótipo está pronto para produção, uma atualização com um clique passa-o para o AlloyDB normal, mantendo dados, esquemas, utilizadores e cadeias de ligação, e acrescenta alta disponibilidade, réplicas de leitura e recuperação de desastres.

A segurança é o ponto em que a Google mais insiste quando são agentes a criar bases de dados. Os administradores definem uma única vez as políticas de IAM, de rede e da organização, e cada base Express criada por uma pessoa ou por um agente herda-as automaticamente. Por omissão, as ligações usam endpoints DNS públicos que escondem os endereços IP e bloqueiam tráfego de entrada até ser autorizado; há rede privada via Private Service Connect ou DNS privado; e o acesso pode ser limitado com IAM, VPC Service Controls e funções nativas do PostgreSQL. A ideia é que um agente possa dar a cada teste a sua própria base isolada sem configuração manual.

A edição herda também as funções de IA do AlloyDB. A Google destaca a pesquisa vetorial com pgvector HNSW e o índice ScaNN, para guardar embeddings e memória de agentes junto dos dados operacionais, chamadas a modelos Gemini a partir de SQL com funções como ai.if, ai.rank e ai.generate, e a geração de SQL a partir de linguagem natural no AlloyDB Studio.

O AlloyDB Express foi uma de várias novidades do Agentic Data Cloud publicadas no mesmo dia. A Google anunciou ainda o acesso direto a tabelas Apache Iceberg no AlloyDB, que permite cruzar numa única consulta PostgreSQL dados operacionais em tempo real com tabelas de lakehouse guardadas na cloud, e afirma que é até 7 vezes mais rápido em agregações do que o serviço equivalente compatível com PostgreSQL da Amazon. Recordou o PostgreSQL for agents no AlloyDB, uma pré-visualização distinta destinada a frotas de agentes em produção, e indicou que a interligação e a cache entre clouds para AWS e Azure, bem como o BigQuery Graph, já estão disponíveis para todos.

Trata-se de uma pré-visualização, pelo que níveis de serviço, regiões e limites ainda podem mudar, e as promessas de velocidade e custo não foram verificadas por terceiros. A comparação de 7 vezes com o Iceberg é um teste da própria Google. A aposta de fundo, ainda assim, é evidente: os fornecedores de cloud contam que uma parte crescente das bases de dados venha a ser criada e descartada por agentes, e não por pessoas, e estão a moldar o aprovisionamento, os preços e as salvaguardas a essa realidade.

Referências