A OpenAI divulgou a 4 de novembro de 2026 uma investigação sobre um sistema automático que procura falhas no kernel Linux, demonstra quais podem ser exploradas e redige correções. Numa só execução, a meio de outubro, e com um modelo de cibersegurança que a empresa ainda não disponibilizou, o sistema produziu 948 explorações distintas de escalada local de privilégios. Cada uma permite a um utilizador sem privilégios, numa instalação comum de Linux para computador, obter acesso de administrador. A OpenAI calcula o custo dessa execução em 1 213 430 dólares em créditos de API, perto de 1 279 dólares por exploração.
O processo tem cinco fases. Primeiro, agentes de reconhecimento identificam o código que um utilizador com poucos privilégios consegue alcançar, reduzindo o kernel a 5 034 alvos de auditoria, cerca de 2,8 milhões de linhas, ou aproximadamente 7% do total. Agentes de análise examinaram esses alvos e, em 12 horas, apresentaram 2 308 suspeitas já sem duplicados. Seguiram-se agentes de triagem, que tentaram reproduzir cada caso numa máquina virtual isolada com um kernel compilado com o Kernel Address Sanitizer, e confirmaram 1 724, quase três quartos. Segundo a empresa, só 3,1% das suspeitas resultaram de raciocínio errado do modelo.
Os casos mais graves passaram para agentes especializados em desenvolver explorações, em máquinas virtuais com as proteções habituais ativas, como SMEP, SMAP e KASLR. Daí saíram 291 provas de conceito de fuga de informação e 1 169 explorações de escalada de privilégios que funcionavam, reduzidas por análise de variantes a 948 falhas únicas, cada uma com uma proposta de correção. Investigadores humanos reviram tudo antes de qualquer envio. A OpenAI afirma já ter remetido centenas de relatórios e correções para problemas críticos, seguindo as indicações da comunidade do kernel, e conta com parceiros da iniciativa Patch the Planet para tratar do resto.
A empresa tira algumas conclusões. Uma execução em julho com o GPT-5.6 Sol encontrou 166 falhas exploráveis únicas; o modelo mais recente encontrou mais de cinco vezes esse número em outubro, apesar de três meses de reforço do código entretanto. As explorações analisadas recorreram a pelo menos 10 técnicas que especialistas externos nunca tinham visto, embora a OpenAI não revele os pormenores. Num ambiente adaptado do kernelCTF, a versão reforçada do kernel usada pela Google no seu programa de recompensas, o sistema obteve 21 explorações por cerca de 32 936 dólares; ao longo de todo o ano de 2026, esse programa aceitou 26 explorações de dia zero confirmadas.
A OpenAI também regista erros. Numa fase inicial, 20 de 200 sucessos anunciados chegaram ao acesso de administrador através de outra falha desconhecida, diferente da atribuída ao agente, o que levou a equipa a acrescentar uma verificação independente. Os agentes descobriram e exploraram ainda uma vulnerabilidade no emulador QEMU usado nos testes, prova de que a própria infraestrutura de investigação também conta como alvo.
Do lado da manutenção do kernel, o ritmo foi rápido. No fim dos 10 dias de análise, 61 das falhas já estavam corrigidas na versão principal e 43 tinham correções em preparação. A OpenAI defende que, por agora, qualquer conta local numa máquina Linux desatualizada deve ser vista como equivalente a acesso de administrador para um atacante com recursos, e recomenda ferramentas de isolamento como Firecracker e gVisor.
Todos estes números são da própria OpenAI e não foram auditados por terceiros. A comparação com prémios pagos no passado pelas competições Pwn2Own e TyphoonPWN, que atribui às explorações um valor entre 18,9 e 66,3 milhões de dólares, é hipotética, e o modelo usado não está disponível ao público.