A Google alterou uma predefinição que interessa a quem envia dados sensíveis pela API Gemini. Segundo as notas de versão de 26 de outubro de 2026, os novos projetos do escalão pago que recorrem à Generate Content API, ou seja, aos métodos generateContent, streamGenerateContent e batchGenerateContent, passam a guardar os pedidos por omissão, com o parâmetro store definido como true. O endpoint mais antigo fica assim alinhado com a Interactions API, que já conservava os pedidos.

A mudança só se aplica a projetos criados a partir de 26 de outubro. A documentação sobre registos explica que os projetos anteriores mantêm a configuração da Generate Content API, desligada salvo se o programador já tivesse ativado o registo no Google AI Studio. O armazenamento de registos da API Gemini existe apenas no escalão pago.

Quem não quiser que o tráfego fique guardado tem duas opções. Pode enviar store=false em cada pedido, valor que se sobrepõe à definição do projeto, ou desligar o registo da Generate Content API no painel de definições do dashboard Logs and Datasets do AI Studio. Para usar o parâmetro pedido a pedido são precisas versões recentes dos SDK: google-genai 2.33.0 ou superior em Python, @google/genai 2.31.0 ou superior em JavaScript, 1.79.0 em Java e 1.76.0 em Go.

O que fica armazenado não é pouco. A vista de registos do AI Studio permite aos membros do projeto abrir o prompt e a resposta completos, bem como o contexto das interações anteriores. Por omissão, os registos são marcados para eliminação ao fim de 55 dias, prazo que pode ser reduzido para 7, 14 ou 28 dias. Os registos guardados em conjuntos de dados não expiram, e esses conjuntos podem ser exportados em CSV, JSONL ou para o Google Sheets. A Google convida ainda os programadores a partilhar conjuntos de dados como exemplos para a investigação do Gemini, algo que a documentação apresenta como facultativo.

Há tráfego que fica de fora. O registo não abrange, por agora, o Imagen e o Veo, os modelos de embeddings do Gemini, o modelo Gemini Robotics, entradas com vídeo, GIF ou PDF, nem os agentes em pré-visualização pública. Os registos também deixam de estar visíveis se o projeto não tiver nenhuma chave de API ativa, por exemplo depois de apagar uma chave exposta.

A Google apresenta o registo como forma de observar e depurar o comportamento das aplicações e de construir conjuntos de avaliação a partir do uso real. Para equipas com obrigações de privacidade ou conformidade, o efeito prático é que um projeto novo passa a reter prompts e respostas do lado da Google, a menos que alguém o desative, o que pode obrigar a rever modelos de projeto e listas de verificação. As notas de versão não explicam a mudança para além do alinhamento com a Interactions API, nem esclarecem como os registos guardados se articulam com os termos de utilização de dados do escalão pago.

Referências