A Honeywell Technologies apresentou na segunda-feira, 26 de outubro, a Forge Plant Cognition, uma plataforma de IA destinada a operadores de refinação, petroquímica e gás natural liquefeito, e indicou a refinaria da Dangote em Lekki, na Nigéria, como a primeira instalação a utilizá-la. A unidade da Dangote é uma das maiores refinarias de linha única do mundo. O sistema foi desenvolvido com modelos de IA e computação acelerada da NVIDIA e com infraestrutura de IA da Dell Technologies, e a Reuters noticiou o lançamento pouco depois do anúncio.

O software assenta na Forge Cognition, a plataforma de IA agêntica e simulação para edifícios e instalações industriais que a Honeywell apresentou a 14 de outubro. A nova versão foi adaptada a fábricas de processo. Junta dados de operação em tempo real, conhecimento de engenharia, a experiência em refinação da unidade UOP e cálculos baseados na física, e a Honeywell promete que vai além do simples alerta: deve recomendar e ajudar a executar correções. A empresa atribui-lhe três funções: detetar estrangulamentos que limitam o débito, o rendimento e o valor dos produtos; identificar cedo falhas de equipamento e de processo para reduzir paragens não planeadas; e transformar o saber de especialistas em fluxos de trabalho assistidos por IA para operadores e engenheiros.

A arquitetura tecnológica é descrita com invulgar detalhe. A plataforma corre na Dell AI Factory com NVIDIA, com apoio dos Dell Services. Os modelos abertos Nemotron, da NVIDIA, alimentam agentes que leem e interpretam os dados da fábrica; as bibliotecas Omniverse criam um gémeo digital da refinaria para formação e planeamento por simulação; e os modelos abertos Cosmos, combinados com o Metropolis VSS Blueprint, sustentam agentes de visão que emitem alertas em tempo real perante anomalias. A framework PhysicsNeMo serve para construir e afinar modelos de IA física ligados à otimização sobre o gémeo digital.

A Honeywell avança um número, mas com cautelas. Com base em dados preliminares, estima que a plataforma possa gerar um benefício operacional superior a 29 cêntimos por barril em Lekki, o que corresponderia a mais de 60 milhões de dólares por ano em ganhos brutos com a refinaria a plena capacidade. As notas de rodapé do comunicado esclarecem que o valor exclui custos de implementação, se aplica apenas a esta unidade, não é garantido e depende do tipo de crude, da utilização, da qualidade dos dados, das margens e de outros fatores.

Para a Dangote, o projeto também passa pelas pessoas. David Bird, presidente executivo da Dangote Petroleum Refinery and Petrochemicals, afirmou que a empresa escolheu a plataforma pela combinação de experiência industrial e capacidade de IA e associou o investimento à formação de talento nigeriano. A Honeywell diz que as ferramentas vão ajudar a Dangote a caminhar para uma força de trabalho 70% nigeriana, ao dar aos engenheiros acesso mais rápido a orientação especializada.

O lançamento prolonga uma relação já antiga. A Honeywell diz trabalhar com a Dangote há quase uma década e estar a ajudar a refinaria a aumentar a capacidade de 650 000 para 1,4 milhões de barris por dia, meta que, segundo a Reuters, aponta para 2028. A agência acrescenta que a Honeywell foi escolhida para apoiar a construção de uma nova megarrefinaria da Dangote no condado de Lamu, no Quénia, o que abre a hipótese de um segundo grande local para a plataforma junto do mesmo cliente.

Por agora, as provas resumem-se a um anúncio do fabricante e à cobertura noticiosa que dele resultou. Não foram publicados resultados de operação em Lekki, a estimativa de 60 milhões é da própria Honeywell e antecede os custos de implementação, e nenhuma das empresas revelou quando o sistema estará plenamente ativo nem quanto custa. A instalação servirá de teste para saber se agentes de IA e gémeos digitais conseguem ganhos mensuráveis na indústria pesada de processo, quando os pilotos anteriores da Forge Cognition se concentraram sobretudo em edifícios e campus.

Referências