A OpenAI aumentou a 2 de novembro de 2026 os pagamentos do seu Security Bug Bounty, o canal através do qual investigadores externos comunicam vulnerabilidades no software da empresa. Segundo a OpenAI, o ponto médio dos intervalos de recompensa para falhas de gravidade média, alta e crítica vai, em média, mais do que quadruplicar, e passam a existir multiplicadores para premiar relatórios mais completos e quem colabora de forma regular.
Em produtos principais como o ChatGPT, o Codex e a API Platform, uma vulnerabilidade crítica pode agora valer até 30 mil dólares. As descobertas críticas excecionais nesses alvos continuam a poder chegar aos 100 mil dólares, teto fixado em março de 2025, mas, com os novos bónus, um único prémio pode atingir cerca de 172 mil. Quando o programa arrancou, em abril de 2023, a recompensa máxima era de 20 mil dólares, segundo noticiou na altura o BleepingComputer.
Há três tipos de bónus que se somam ao valor base. Um multiplicador de qualidade premeia relatórios com uma prova de conceito fiável, que isole o erro, mostre em que condições pode ser explorado e demonstre o impacto. Um sistema de fidelização com cinco escalões aumenta os prémios de quem reporta com regularidade. As campanhas prioritárias vão associar, durante períodos curtos, verbas próprias a funcionalidades acabadas de lançar, para que quem as testa primeiro ganhe mais.
A publicação da OpenAI mostra como as peças se combinam, sublinhando que os cenários e os prémios históricos são apenas ilustrativos. Uma falha de gravidade média no ChatGPT, que permitia a um membro só com permissão de leitura carregar ficheiros num Project e rendia antes 750 dólares, passaria a valer 2 415 dólares com os bónus de qualidade e do escalão bronze. O sequestro de uma conta ChatGPT com um só clique, outrora pago com 6 500 dólares, chegaria aos 51 577 com os multiplicadores de qualidade, de campanha prioritária e do escalão máximo. O exemplo mais alto, uma quebra séria de uma fronteira de segurança, como ver as conversas de outros utilizadores, dá 171 925 dólares.
A mudança tem efeitos retroativos parciais. Os relatórios já entregues mas ainda não premiados serão pagos segundo as novas tabelas, e quem recebeu uma recompensa nos 30 dias anteriores ao anúncio receberá a diferença se a sua descoberta valesse mais com as novas regras. A OpenAI indica ainda que a equipa de segurança estará no evento PROMPT2PWN, em Oakland, a 20 e 21 de novembro, onde os investigadores poderão testar alvos presencialmente.
No mesmo dia houve um segundo anúncio. A OpenAI está a preparar a próxima ronda interna de segurança e vai contar com a Cathedral Systems, cujos investigadores usarão os modelos da OpenAI ao lado das equipas da casa para pôr à prova as suas defesas. Na ronda anterior, diz a empresa, 25% dos engenheiros de produto dedicaram-se a encontrar e corrigir fragilidades, recorrendo ao Codex para investigar descobertas, reproduzir vulnerabilidades em ambientes isolados e preparar correções para revisão. A OpenAI apresenta os caçadores de recompensas externos como complemento desse trabalho interno assente em modelos, a que chama Defense Factory.
Os valores são tetos e multiplicadores, não pagamentos garantidos, e a OpenAI não revela quantos relatórios recebe nem quanto pagou até hoje. Segundo o artigo do BleepingComputer de 2025, problemas de segurança dos próprios modelos, como os jailbreaks, ficaram historicamente fora do âmbito deste programa, pelo que o dinheiro novo se destina a vulnerabilidades de software convencionais nos produtos da OpenAI e não ao comportamento dos modelos.