A OpenAI anunciou na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, o Grid Protectors Program, um enquadramento nacional segundo o qual os campus de computação para IA que construir nos Estados Unidos vão diminuir o consumo de eletricidade sempre que a rede local estiver sob tensão. A empresa diz que negociará as condições caso a caso com elétricas, reguladores e decisores políticos, e que suportará a totalidade dos custos da energia e das infraestruturas de rede de que os seus campus precisem.

Cada acordo deverá fixar três parâmetros: quanta procura a instalação pode retirar, com que rapidez o faz e durante quanto tempo mantém a redução. A OpenAI explica que os termos variarão consoante o local e que irá divulgar novos compromissos à medida que forem fechados. Conforme as necessidades locais e o equipamento disponível, poderá ainda devolver energia à rede a partir de geração ou armazenamento no próprio local, e usar baterias e sistemas de controlo para suavizar as oscilações do seu consumo.

O piloto é o campus que a OpenAI planeia no condado de Effingham, na Geórgia. Aí, segundo a empresa, já existe o compromisso de pagar todos os custos de infraestrutura e de serviço elétrico necessários ao projeto, e o acordo com a Georgia Power inclui até 1000 megawatts de resposta flexível da procura. A OpenAI compara esse volume ao consumo médio de cerca de 700 mil lares, mais do que Washington e Boston juntas. O The Next Web acrescenta que o campus deverá precisar de cerca de 3,2 gigawatts e que o acordo, válido por 25 anos, foi aprovado em agosto. O campus ainda está em desenvolvimento.

O argumento económico da OpenAI assenta no facto de linhas e subestações serem um custo fixo. Um campus que consome energia de forma estável ao longo do ano dilui esses custos por mais vendas de eletricidade, e a flexibilidade nas horas de ponta reduz a necessidade de reforços caros. A empresa cita uma projeção da Georgia Power de cerca de 950 milhões de dólares de poupança anual para os clientes a partir de 2029, valor que a elétrica atribui a toda a sua carteira de grandes consumidores e ao crescimento previsto, incluindo o chamado Project Camellia, e que estima em pelo menos 15 dólares por mês para uma família típica com 1000 quilowatts-hora de consumo.

O anúncio surge numa altura em que cresce nos EUA a oposição aos centros de dados. O The Verge recorda protestos locais contra grandes projetos e leis aprovadas em estados como o Tennessee, a Florida, o Oklahoma e o Oregon para impedir que as empresas de IA passem os custos energéticos para os residentes. Nota também que a OpenAI passou a chamar às suas instalações campus de computação em vez de centros de dados. A própria OpenAI cita previsões de que a capacidade dos centros de dados norte-americanos ultrapassará os 100 gigawatts até 2030.

A Axios indica que o programa abrange os campus que a OpenAI desenvolve diretamente nos EUA e cita John McCarrick, responsável pela política energética da empresa, segundo o qual há um ano outro grande operador de nuvem ainda defendia uma disponibilidade de cinco noves, algo que, na sua opinião, já ninguém faz. A Axios acrescenta que os reguladores apontam no mesmo sentido: uma exigência da Federal Energy Regulatory Commission sobre a ligação de grandes consumidores à rede favorece cargas flexíveis, e um projeto de lei de licenciamento no Senado permitiria aos estados exigir que os centros de dados limitem o consumo como condição para receberem serviço.

A OpenAI admite que a flexibilidade não substitui o investimento em nova produção e em linhas de transporte, e diz que contratos de longo prazo e garantias financeiras podem proteger os restantes clientes caso um projeto seja adiado, reduzido ou cancelado. Fora da Geórgia, não identificou outros locais nem divulgou a dimensão de qualquer outro compromisso, e as parcerias com a Oracle e a SoftBank nos campus Stargate do Texas e do Novo México não são apresentadas como parte do programa.

Referências