A Walmart aposta que os agentes de IA vão tornar-se uma forma corrente de fazer compras e quer que entrem por uma porta controlada por si. A 21 de outubro de 2026, a retalhista apresentou três peças complementares: o Walmart Agent Gateway, os Agent Profiles e um conjunto de condições para agentes de IA, válidas tanto na Walmart como na cadeia de armazéns Sam's Club. O presidente executivo, John Furner, expôs o plano na Masters of Scale Summit, em São Francisco, segundo o TechCrunch.
O gateway responde ao modo como os agentes chegam hoje à loja. A Walmart explica que atualmente navegam num browser por páginas pensadas para pessoas, o que considera lento e sujeito a erros. Em alternativa, o Agent Gateway dá aos agentes autorizados acesso ao catálogo e ao pagamento através do Model Context Protocol, o padrão aberto criado inicialmente pela Anthropic para ligar sistemas de IA a ferramentas e dados. Começará por uma beta para empresas e programadores. A Walmart acrescenta que o agente poderá encontrar os produtos habituais do cliente, como o pão de massa-mãe ou a marca de leite preferidos, sem receber o histórico completo de compras.
Os Agent Profiles, previstos para o próximo mês, mudam a forma como aparecem as compras feitas por agentes. Hoje o agente entra com as credenciais do cliente, e as suas encomendas confundem-se com as da pessoa. Com o novo sistema, cada agente terá um perfil dedicado dentro da conta, criado na primeira compra pelo gateway e associado quando o cliente inicia sessão. Será possível exigir aprovação para cada compra ou autorizar gastos até um teto, com a Walmart a dar exemplos de 50, 100 ou 200 dólares, consultar à parte as encomendas de cada agente e apagar o perfil quando se quiser. A empresa compara a solução a acrescentar um titular adicional a um cartão de crédito com limite. Segundo o TechCrunch, não é preciso ser assinante Walmart+.
As condições fixam as regras do jogo. Os agentes não podem ir além da intenção do comprador, não recebem dados do cartão nem podem alterar meios de pagamento e só acedem à informação necessária para a tarefa. Por defeito, cada compra exige aprovação, e a Walmart pode pedir confirmações adicionais mesmo dentro do limite. A política de devoluções aplica-se quando um agente falha, e quem desrespeitar as regras será bloqueado. A empresa garante ainda que os agentes veem os mesmos preços que os clientes humanos no Walmart.com.
A decisão contrasta com a da Amazon. O TechCrunch e o The Verge descrevem a Amazon como estando a impedir que agentes de IA comprem em nome dos clientes, e o The Verge refere o agente de compras da Perplexity e o assistente Muse da Meta entre os excluídos. A Walmart já tinha integrações de compras conversacionais com o Muse, o ChatGPT e o Gemini; o gateway dá agora a essa abertura uma infraestrutura e limites contratuais, em vez de um acesso improvisado pelo browser.
Para quem desenvolve agentes, ver um grande retalhista publicar um ponto de acesso MCP e regras explícitas é um sinal de que o comércio feito por agentes está a passar da automação de ecrãs para interfaces autorizadas. Para os consumidores, o registo separado por agente e os tetos de despesa respondem a um receio básico: deixar um software gastar dinheiro.
Ficam por esclarecer pontos importantes. A Walmart não indicou que agentes serão aprovados, quando a beta será alargada nem como vai detetar e bloquear quem viole as condições. Os Agent Profiles foram anunciados mas ainda não estão ativos, e a divisão de responsabilidades em matéria de privacidade deixa parte da questão dos dados nas mãos das empresas que fornecem os agentes.