A Mastra lançou o Factory em versão beta, um ambiente de código aberto que integra agentes de programação num processo de entrega de software com etapas explícitas. Em vez de deixar um agente avançar do pedido inicial até ao código sem interrupções, a equipa pode decidir em que fases existe automatização e em quais é necessária intervenção humana.
O aspeto mais relevante vem da experiência da própria Mastra. A empresa conta que começou com um processo muito mais automático e acabou por introduzir controlos por etapa depois de verificar que erros nas fases iniciais e entradas volumosas de trabalho criavam problemas de infraestrutura e aumentavam a carga de revisão.
O processo de desenvolvimento passa a ter decisões em cada etapa
O Factory organiza o trabalho em fases como entrada, análise inicial, planeamento, implementação, revisão e conclusão. Cada tarefa recebe uma sessão própria do agente, com espaço de trabalho, ficheiros, atividade das ferramentas e conversa. Os pedidos podem chegar do GitHub ou do Linear e seguir até à implementação e à preparação de uma proposta de alteração para revisão.
Cada fase pode funcionar manualmente ou de forma automática. Esta flexibilidade resulta de uma opção de desenho tomada após uso interno. A Mastra afirma que o modo inicialmente totalmente automático reagia mal à importação de grandes volumes de trabalho: surgiam picos de carga, problemas de infraestrutura e demasiadas alterações difíceis de rever. A empresa também descreve situações em que um alerta incorreto ou uma interpretação errada na análise inicial levou as etapas seguintes na direção errada.
Os números da Mastra não são uma medição independente
A Mastra diz que, desde a utilização interna do Factory em versão alpha, em julho, o sistema automatiza entre 25% e 35% das suas propostas de alteração e encerra entre 50% e 60% dos pedidos registados. O mesmo artigo apresenta gráficos agregados com 1 627 propostas integradas, das quais 277, ou 17%, foram produzidas pelo Factory, e 778 pedidos encerrados, dos quais 222, ou 28,5%, foram encerrados pelo Factory.
Código aberto não significa ausência de dependências externas
O modelo de projeto do Factory é distribuído com licença Apache-2.0 e o servidor pode ser executado como um serviço Node.js persistente, numa máquina virtual ou num contentor. O repositório também prevê PostgreSQL local e execução de comandos na própria máquina.
Por omissão, contudo, uma instalação nova usa a plataforma Mastra para autenticação, armazenamento e ambientes isolados de execução. Estes componentes podem ser configurados separadamente, incluindo execução local e alternativas para armazenamento ou autenticação.
O novo limite passa a ser quem pode fazer avançar o trabalho
O principal ensinamento do lançamento não está na quantidade de código que um agente consegue produzir. Quando o sistema pode analisar pedidos, preparar planos, alterar o repositório e criar propostas para revisão de forma contínua, o problema passa a ser determinar quais dessas transições podem acontecer sem intervenção humana.
Os controlos por etapa do Factory são uma resposta concreta. Permitem definir níveis de autonomia diferentes conforme o tipo de tarefa, em vez de reduzir tudo a uma escolha entre “agente ligado” e “agente desligado”.
Para responsáveis de engenharia, a pergunta prática deve ser se uma decisão errada pode ser travada perto do ponto onde surgiu, antes de se transformar num plano, em código e, por fim, em trabalho adicional de revisão.
O Factory continua em beta e os números de produtividade são fornecidos pela própria Mastra. Ainda assim, a experiência publicada é relevante: quanto maior for o volume de trabalho delegado a agentes, mais importantes se tornam limites claros de autoridade, execução controlada e passagens entre etapas que possam ser acompanhadas.